A conta de luz de outubro não terá cobrança extra pela primeira vez desde abril. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira tarifária verde, encerrando cinco meses seguidos de bandeira amarela, que custava R$ 1,885 extras a cada 100 kWh consumidos.

A mudança aconteceu porque as chuvas no Sul e no Sudeste aumentaram o volume dos reservatórios das hidrelétricas, segundo a Aneel. Com mais água armazenada, o país precisa acionar menos usinas termelétricas, que são mais caras e encarecem a conta de luz.

Uma casa que consome 200 kWh por mês vai pagar R$ 3,77 a menos em outubro do que pagou em setembro, quando ainda vigorava a bandeira amarela.

Por que 2025 foi pior

O ano passado foi bem mais caro no mesmo período. Em 2025, depois de quatro meses de verde, a bandeira virou amarela em maio e chegou à vermelha, o patamar mais caro do sistema, entre junho e setembro.

A bandeira vermelha tem dois patamares. O 1 valeu entre junho e julho de 2025, e o 2, o mais caro de todos, vigorou entre agosto e setembro daquele ano.

A diferença mostra que o sistema elétrico entrou em outubro de 2026 numa situação bem mais confortável do que um ano antes. É reflexo direto do regime de chuvas.

O que muda a partir de agora

A Aneel anuncia a bandeira de novembro em 30 de outubro, a de dezembro em 27 de novembro, e a de janeiro de 2027 em 23 de dezembro. Cada anúncio depende do nível dos reservatórios e da previsão de chuva para as semanas seguintes.

A conta de luz já vinha sob pressão havia meses. Em setembro, a reportagem já mostrava por que ela não baixava havia 5 meses.

Nem toda decisão recente da Aneel favorece o bolso do consumidor no curto prazo. A agência também vetou, nesta semana, uma mudança que poderia baratear a conta em R$ 223 milhões por ano, por temer risco ao mercado livre de energia.

Em julho, a Aneel também aprovou reajuste de 9,63% nas tarifas da Energisa Sul-Sudeste, lembrete de que a bandeira verde não impede alta na tarifa básica em outras regiões.

O que a comparação com 2025 revela

A comparação com o ano passado mostra que o sistema elétrico chegou a 2026 em situação melhor. Mesmo com cinco meses de bandeira amarela, o Brasil não repetiu os patamares vermelhos que encareceram a conta entre junho e setembro de 2025.

A folga depende do regime de chuvas, e pode não se repetir no próximo ano seco. A Aneel já mostrou nesta semana, ao vetar a proposta da Eneva, que nem toda decisão sobre o setor favorece o consumidor no curto prazo.