Os salmões, sobretudo os do Pacífico, gastam tanta energia na migração para se reproduzir que o próprio corpo se deteriora. A aparência debilitada resultante do processo levou biólogos a comparar os peixes a zumbis nesta fase final do ciclo de vida.

Os alevinos, filhotes do salmão, nascem em água doce. Quando crescem, migram para o mar e se tornam adultos, até voltarem para desovar onde nasceram. O caminho de volta é só de ida, sem alimentação.

Por que o salmão para de comer na migração?

O salmão para de comer porque o corpo muda de prioridade na migração. Segundo o biólogo Daniel Segalot, do Oceanic Aquarium de Balneário Camboriú (SC), o peixe acumula gordura no mar e passa a consumir essa reserva assim que a viagem de volta começa.

"Durante o período em que vivem no mar, os salmões se alimentam e acumulam reservas corporais, principalmente de gordura, que serão utilizadas durante a migração reprodutiva", explica Segalot.

Sem se alimentar, o organismo passa a consumir os próprios órgãos e tecidos como fonte de energia para enfrentar mudanças de temperatura, correntezas e o desgaste da viagem. A maioria vive de 2 a 8 anos e morre dias ou semanas depois de se reproduzir.

O que explica a aparência de zumbi?

A aparência debilitada tem explicação biomecânica. O corpo consome a própria massa muscular, e os órgãos perdem função aos poucos, o que compromete a cor e a textura da pele, processo que Segalot associa à persistência do movimento durante a migração.

O corpo que garantiu a travessia até o rio é consumido pelo próprio esforço de completá-la.

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"Eles ficam com uma aparência debilitada que, associada à persistência do movimento, deu origem à comparação com zumbis", afirma o biólogo.

Segundo o biólogo Rafael Santos, o jejum na migração não é um nado por exaustão aleatório, mas uma estratégia evolutiva ligada à reprodução: o peixe direciona os recursos para nadar contra a correnteza, superar obstáculos e completar o ciclo.

Nem todo salmão morre depois de desovar

Nem todo salmão morre depois de desovar. A maioria das espécies do Pacífico se reproduz uma única vez e morre logo em seguida, mas o salmão-do-Atlântico pode sobreviver à reprodução e migrar de novo em anos seguintes.