O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou nesta terça (29/9) que nenhum país da região poderá exportar petróleo enquanto as vendas iranianas seguirem bloqueadas. A declaração eleva a tensão no Estreito de Ormuz, rota por onde passavam 20% do petróleo mundial.

"Em uma região na qual não possamos vender petróleo, ninguém mais venderá", disse Qalibaf, segundo a mídia estatal iraniana. "Ou, se não garantirem nossa segurança, nenhuma infraestrutura permanecerá a salvo", completou.

O Irã bloqueia o tráfego comercial em Ormuz desde o fim de fevereiro, quando a guerra começou com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano. Antes do conflito, 125 navios cruzavam o estreito por dia, com 20 milhões de barris em movimento.

Ormuz chegou a ver o maior fluxo de petróleo em seis meses.

O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, ligou a reabertura real do canal a esse volume. "Um estreito verdadeiramente aberto é aquele pelo qual passariam pelo menos 125 navios", disse. Isso significa que Teerã rejeita solução parcial nas negociações com os americanos.

O impasse ocorre em meio às negociações de um cessar-fogo. O Irã propôs uma trégua de sete dias com reabertura gradual do Estreito, mas Trump rejeitou a oferta no sábado (26/9).

Na segunda-feira (28/9), porém, Trump disse que a guerra terminaria "muito em breve", com vitória americana, sem detalhar prazo ou condições.

O que muda no bolso do brasileiro

O que muda no bolso do brasileiro está na bomba de combustível. O petróleo Brent fechou em US$ 106,60 o barril em 24/9, alta puxada pela guerra no Golfo, o que aumenta a pressão para reajustes na gasolina e no diesel vendidos pela Petrobras.

A diferença entre o preço da Petrobras e o custo de importação chegou a R$ 3,31 por litro no diesel, segundo a Abicom. Na gasolina, a diferença é de R$ 1,25, alta de 42%.

O que acontece agora

O que acontece agora é a espera por uma resposta de Washington ao plano de reabertura gradual apresentado pelo Irã. Os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner negociam ao lado do chanceler iraniano, Abbas Araghchi.

O Irã mantém a ameaça de novos ataques a instalações no Oriente Médio caso não receba garantias de segurança. Entenda o que o país pede para encerrar a guerra com os Estados Unidos.

A escalada verbal também acontece dias depois de Trump prometer retomar os bombardeios contra o Irã após a eleição nos EUA caso as negociações fracassem.