Os empregados da Caixa Econômica Federal estão em greve nacional por tempo indeterminado desde a quinta-feira (10), depois de rejeitar a proposta do banco na negociação coletiva sobre salário e plano de saúde. É a primeira paralisação nacional da categoria desde 2016, há dez anos.
O estopim foi a proposta de mudança no financiamento do Saúde Caixa, o plano de saúde dos funcionários. Os sindicatos também pedem reajuste salarial com 5% de ganho real, contra os 0,6% oferecidos pelo banco.
No domingo (13), a Caixa recuou da intenção de levar a renovação do acordo coletivo à Justiça. O banco suspendeu as medidas administrativas que havia anunciado e reabriu a mesa de negociação com as entidades dos empregados.
Qual é o tamanho da paralisação?
No quinto dia de greve, 268 das 283 unidades de trabalho ligadas ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região estavam fechadas. Na prática, apenas 15 continuavam funcionando na região metropolitana.
Mais de 700 empregados participaram de um ato em frente a uma unidade da Caixa na Avenida Paulista.
A greve faz parte da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e também atinge o Banco do Brasil. Empregados de 93 bases sindicais pelo país aprovaram a paralisação por tempo indeterminado.
"A mobilização está fazendo a Caixa voltar para a mesa. É a força dos trabalhadores que está abrindo caminho para a negociação", disse o sindicalista Chico Pugliesi durante o ato na Paulista.
Em nota, a Caixa respondeu a um ofício da Contraf e afirmou reconhecer a importância da negociação coletiva. Disse ainda que manter canais permanentes de diálogo com as entidades representativas é fundamental para construir soluções nas relações de trabalho.
Nos atos pelo país, os trabalhadores apelidaram de "Super Calote" o programa que a Caixa chama de "Super Caixa". Nos protestos, eles repetem que "o plano de saúde não pode ser tratado de forma isolada" do restante do acordo coletivo.
O ponto em aberto
A Caixa garantiu manter, temporariamente, direitos e cláusulas praticados até 31 de agosto enquanto durar a negociação. Nenhuma data de acordo final foi divulgada até esta segunda-feira (15).
A categoria dos bancários já protagonizou greves de peso na história da Caixa. Em 1985, uma paralisação com adesão total resultou na redução da jornada para 6 horas diárias.
O tamanho do movimento atual mostra que o Saúde Caixa se tornou, de novo, um ponto que a categoria não abre mão de negociar.
O desfecho depende agora de quanto a Caixa aceita ceder no financiamento do plano, o ponto que os próprios trabalhadores dizem não poder ser separado do resto do acordo coletivo.


























