Milhares de venezuelanos foram às ruas em cinco cidades do país na quinta-feira (22) para exigir eleições, a libertação de presos políticos e o retorno de María Corina Machado, nove meses depois da captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Os atos aconteceram em Caracas, Valência, Maracay, San Cristóbal e Maracaibo. Segundo a agência Reuters, foi o primeiro protesto nacional da oposição em quase dois anos.

A mobilização, organizada pelo movimento Vente Venezuela, ligado a Machado, marcou o 3º aniversário das primárias da oposição venezuelana. Segundo a organização de direitos humanos Foro Penal, mais de 320 presos políticos seguem encarcerados no país.

O partido de Machado informou que sete pessoas ligadas a carros de som usados no protesto foram detidas.

Delcy Rodríguez comanda o governo interino desde janeiro, quando Maduro foi capturado. Em setembro, Trump já havia confirmado uma conversa direta com Delcy Rodríguez sobre a eleição no país.

O diálogo entre o governo e parte da oposição vai até 30 de novembro, mas nenhum calendário eleitoral foi anunciado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio à realização de eleições, sem fixar prazo.

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Nesta semana, Machado acusou um aliado de Trump de corrupção na Venezuela, episódio que mostra a disputa ainda aberta em torno do governo interino. O impasse também explica por que a própria Machado não consegue voltar ao país.

O que muda na fronteira do Brasil?

A fronteira em Roraima sente o efeito da crise desde a captura de Maduro. O governo brasileiro reforçou a vigilância na região e ampliou o efetivo da Força Nacional de Segurança Pública logo após a ação dos EUA, em janeiro.

A União também abriu R$ 115 milhões em crédito especial para Roraima, em cumprimento a um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal. O valor ressarce o estado pelos gastos extraordinários com a entrada contínua de imigrantes venezuelanos.

O impasse eleitoral mantém a Venezuela na mira de Roraima, mesmo com o fluxo migratório em queda.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o número de migrantes e refugiados que cruzaram a fronteira caiu mais da metade nos primeiros 13 dias deste ano, ante o mesmo período anterior.

Em abril, a entrada recorde de 1,4 milhão de venezuelanos já havia sobrecarregado o estado, antes da melhora registrada neste início de ano.

O que acontece agora

O prazo do diálogo entre o governo interino e a oposição termina em 30 de novembro, quando deve ficar mais claro se haverá calendário eleitoral. A oposição defende votação já em 2027.

Até lá, Vente Venezuela promete manter a pressão nas ruas pela libertação dos presos políticos e pelo retorno de Machado ao país.