Um estudo da Embrapa Meio Ambiente e da Universidade de São Paulo (USP) mostra que bactérias benéficas reduzem em cerca de 60% a severidade de doenças causadas pelo fungo Bipolaris sorokiniana no trigo, com potencial para diminuir o uso de fungicidas químicos na lavoura.

O fungo é um dos patógenos de maior importância econômica para a cultura do trigo, especialmente em regiões de clima quente ou com deficiência hídrica. Ele causa mancha-marrom, podridão radicular, podridão da coroa, queima de plântulas e black point.

Coordenado pelo pesquisador Rodrigo Mendes, da Embrapa Meio Ambiente, o estudo avaliou 3 bactérias: Streptomyces virginiae, Paenibacillus ottowii e Pseudomonas inefficax. Todas estimulam o crescimento das plantas e aumentam a disponibilidade de fósforo no solo.

Em vez de eliminar o fungo diretamente, os microrganismos reorganizam a comunidade microbiana da rizosfera, a região ao redor das raízes, restaurando funções ecológicas do solo que reforçam a resistência natural das plantas.

Os inoculantes bacterianos remodelam as comunidades microbianas do solo, restauram funções ecológicas importantes e reforçam os mecanismos naturais de resistência das plantas.

A avaliação é de Caroline Nishisaka, pesquisadora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), uma das responsáveis pelo estudo.

Nos experimentos, plantas expostas apenas ao fungo foram comparadas com outras que também receberam as bactérias benéficas. No segundo grupo, a severidade da doença foi menor.

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Por que o trigo brasileiro precisa de ajuda

O Brasil ainda está distante da autossuficiência em trigo e depende de importação para abastecer o mercado interno.

Na safra 2026/27, a produção nacional caiu 26,2%, e o país deve importar um volume recorde do grão.

Soluções biológicas parecidas já mostraram resultado em outras culturas: uma bactéria brasileira reduziu o nematoide da soja em 67,8%, por exemplo. Reduzir perdas por doenças como a do trigo pode ajudar a aumentar a produtividade da lavoura nacional.