Um guia publicado pelo jornal mineiro O Tempo ensinando a desativar alertas da Defesa Civil no celular reacendeu um debate sobre a "fadiga de alertas": o fenômeno pelo qual avisos repetidos ou pouco relevantes perdem a capacidade de provocar reação.
Um estudo de 2025 identificou os fatores que levam o público a ignorar ou desligar esses avisos. O sistema usa a rede 4G e 5G das operadoras para avisar celulares em áreas de risco, sem cadastro prévio, segundo o Ministério da Integração.
Em risco extremo, o aviso soa como sirene mesmo no modo silencioso, função que não pode ser desativada.
O guia do O Tempo, publicado em 5 de outubro, ensina a desligar notificações de nível severo no Android (em Configurações, Notificações, "Alertas de emergência sem fio") e no iPhone (em Ajustes, Notificações). Apenas o alerta extremo continua obrigatório nos dois sistemas.
O que é a fadiga de alertas?
É a perda de atenção a avisos repetidos, pouco relevantes ou mal calibrados, segundo estudo de 2025 das pesquisadoras Jeannette Sutton e Michele Wood. Frequência, relevância e conteúdo da mensagem são os fatores associados a esse desgaste.
Os efeitos incluem dessensibilização, reclamações e a própria desativação dos alertas quando o sistema permite. Para as pesquisadoras, o resultado é um "desligamento cognitivo": o aviso chega e é percebido, mas deixa de provocar reação proporcional ao risco.
O problema ganha outra camada no Brasil: em junho, mensagens falsas enviadas por um acionamento não autorizado do sistema geraram confusão em várias cidades.
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Uma das mensagens chegou a alertar sobre um suposto ataque alienígena, e a Polícia Federal abriu investigação sobre o caso.
O que muda para quem desativa o alerta?
Quem desliga os avisos de nível severo deixa de receber chuva forte e vento no celular, mas continua recebendo o alerta extremo. Essa escolha reduz a chance de reação rápida nas emergências menos graves, a maioria dos casos da Defesa Civil.
O que acontece agora
Neste fim de semana, moradores de Minas Gerais devem testar esse sistema na prática: a Defesa Civil do estado prevê tempestades entre sexta (23) e segunda (26), com chuva de até 90 mm no domingo (25).
As rajadas de vento podem chegar a 80 km/h no mesmo domingo (25), dia também da votação do 2º turno.
O Inmet já havia previsto tempestade e granizo na Zona da Mata para o mesmo domingo.































