O governo dos Estados Unidos avalia tornar obrigatória a rotulagem de origem para carne bovina vendida no país, dias depois de isentar a carne do Brasil de uma tarifa de 25% e abrir cota de 300 mil toneladas para carne magra importada, parte dela brasileira.

Meu objetivo e minha principal prioridade ao trazer essa rotulagem de volta são, em primeiro lugar, proteger o pecuarista americano e, em segundo, proteger o consumidor americano.

A frase é da secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, dita em entrevista. O setor pecuário americano, porém, está dividido sobre a utilidade da rotulagem obrigatória.

Varejistas, frigoríficos, confinadores e pecuaristas com grandes rebanhos dizem que a exigência impõe custos excessivos. Já pecuaristas independentes e donos de rebanhos menores afirmam que o selo é barato de aplicar e ajudaria seus resultados financeiros.

Neste mês, Trump assinou uma ordem executiva com regras para os setores de carne bovina e pecuária dos EUA. A parte de rotulagem manda o país analisar em 90 dias o custo de exigir a origem, mas qualquer mudança só valeria a partir de 2027.

A discussão ocorre dias depois de os EUA isentarem a carne bovina do Brasil da tarifa de 25% aplicada a outros produtos brasileiros, dentro do pacote que Trump chama de tarifaço.

O presidente confirmou que a carne magra da nova cota livre de tarifa viria do Brasil e da Argentina. A medida abre pausa de 90 dias nas tarifas para 300 mil toneladas de carne bovina, vendida com desconto de 25% abaixo do preço de mercado.

A isenção da carne brasileira da tarifa de 25% em vigor desde julho desagradou pecuaristas americanos. Para esses grupos, a rotulagem de origem é a forma de compensar a maior concorrência estrangeira.

As exportações de carne bovina também vêm crescendo: as vendas de Mato Grosso aos EUA subiram 50,4% em agosto ante o mesmo mês de 2025.

Enquanto isso, o Brasil também disputa espaço em outro mercado: a cota de carne bovina para a China, mais generosa, pode se esgotar já em abril de 2027.

O efeito para o exportador brasileiro

Para o Brasil, um dos maiores beneficiários da nova cota sem tarifa, a rotulagem pode mudar como o produto chega às gôndolas americanas: hoje a carne bovina não precisa informar a origem, ao contrário de frutas e verduras.

O que acontece agora

A secretária de Agricultura e o representante comercial dos EUA têm 90 dias, contados da ordem assinada em setembro, para entregar a análise de custos da rotulagem ao Congresso. Só depois o Legislativo americano decide se torna a exigência obrigatória por lei.