O índice de confiança empresarial da Alemanha, medido pelo instituto Ifo, subiu para 89,9 pontos em setembro, ante 88,8 em agosto, maior nível em três anos. É o quinto mês seguido de alta, puxada por exportações fortes e pela indústria, segundo o jornal Valor.

"A economia alemã continua a sua recuperação", disse o presidente do instituto Ifo, Clemens Fuest. O levantamento ouviu 9 mil empresas dos setores de indústria, serviços, comércio e construção. É a quinta alta seguida do índice.

A recuperação chega num momento em que o Brasil aposta na economia alemã. Desde 1º de maio, vale a título provisório o acordo entre Mercosul e União Europeia, que elimina aos poucos as tarifas sobre mais de 91% do que a UE exporta ao bloco.

Automóveis, remédios, vinho e azeite estão na lista de produtos beneficiados.

Argentina, Brasil e Uruguai já concluíram a ratificação do acordo, e o Paraguai também ratificou e aguarda enviar a notificação formal à União Europeia.

As primeiras exportações já sentiram o efeito. Nos dois primeiros meses de vigência do acordo, as vendas do Brasil à Europa cresceram R$ 10 bilhões, como mostrou a TV Sim Brasil em julho.

O que isso muda para o comércio entre os dois países?

Muda o tamanho da aposta. Empresários dos dois países querem dobrar o comércio bilateral, hoje em US$ 20 bilhões por ano, para US$ 40 bilhões em cinco anos, segundo o Jornal do Comércio, que cobriu o encontro entre as federações industriais dos dois países.

O evento reuniu a CNI, do lado brasileiro, e a BDI, confederação da indústria alemã, na Hannover Messe. O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a meta em abril, na feira alemã.

Uma pesquisa da Câmara Alemã de Indústria e Comércio (DIHK) mostra que um terço das empresas alemãs com atuação internacional espera efeito positivo do acordo com o Mercosul. As companhias da Alemanha exportam cerca de € 13 bilhões em mercadorias ao Brasil por ano.

O comércio entre os blocos já rendeu resultado concreto. Em setembro, a UE aceitou os protocolos sanitários do Brasil e liberou a volta do frango brasileiro ao mercado europeu.

Nem tudo é recuperação na indústria alemã

Nem tudo é recuperação na indústria alemã. O setor automotivo do país corta vagas mesmo com a confiança empresarial subindo no resto da economia, e cerca de 100 mil trabalhadores protestaram contra os cortes em setembro, como mostrou a TV Sim Brasil.

O próprio Ifo reconhece a diferença entre setores: os comerciantes seguem cautelosos, pressionados pela inflação, enquanto a indústria de transformação e os serviços puxaram a melhora do índice em setembro.

O que falta agora é o Paraguai notificar formalmente a União Europeia sobre sua ratificação, passo que falta para o acordo valer para todo o bloco. Enquanto isso, o regime segue provisório, como está desde 1º de maio.