As principais ações ligadas a inteligência artificial caíram na segunda-feira (14), depois que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados. A Nvidia recuou 3,36%, a Marvell caiu 6,3%, a Intel perdeu 5,6% e a AMD, 5%. O Nasdaq fechou com queda de 1,02%.
Amodei publicou, em 12 de setembro, um texto defendendo a desaceleração no avanço dos modelos de fronteira, pedindo coordenação entre empresas e países.
A proposta ganhou apoio rápido: no dia seguinte, Sam Altman e Elon Musk aceitaram desacelerar o avanço da IA ao lado de Amodei. Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Satya Nadella, da Microsoft, também apoiaram publicamente. Foi essa convergência rara entre concorrentes que acendeu o alerta nos mercados: se os próprios líderes do setor pedem para pisar no freio, o crescimento que sustenta as ações pode estar em xeque.
No mesmo dia da queda nas bolsas, o presidente dos EUA, Donald Trump, chamou os alertas de Amodei de "farsa", comparando-os ao que classificou de "farsa do aquecimento global". Trump chamou de "forças negativas" quem defende desacelerar a IA, argumentando que isso favoreceria a China.
A disputa com o país asiático já aparece em outras frentes da corrida tecnológica: a China ativou uma fábrica de robôs humanoides banida pelos EUA.
Analistas brasileiros ouvidos pela InfoMoney avaliam o momento como correção, não estouro de bolha. "Não é fim do mundo, é uma reprecificação. O mercado tratou a IA como uma certeza", diz Flavio Terni, cofundador da gestora Revert. Para Gabriel Pinheiro, sócio da GT Capital, "a inteligência artificial veio para ficar. O que pode estar acontecendo é apenas uma correção".
O apetite pelo setor segue alto apesar da queda: o CEO da Nvidia, Jensen Huang, projeta entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões em investimentos globais em infraestrutura de IA até 2030.
O que fica sem resposta
Uma queda de um dia não decide se a era da IA é bolha ou não. A dúvida que fica é outra: por quanto tempo o mercado vai aceitar bancar bilhões em infraestrutura antes de cobrar retorno concreto das empresas que prometem transformar a economia com ela.


























