O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) denunciou Douglas Silva de Oliveira Azara e três ex-sócios da fintech Naskar por fraude e integração de organização criminosa. Segundo a denúncia, protocolada nesta segunda-feira (15), os quatro fingiram uma venda da empresa por R$ 1,2 bilhão para manter os investidores enganados.
A Naskar funcionou por 13 anos captando dinheiro de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, até suspender os pagamentos em maio de 2026. O MPDFT afirma que não havia prova de que a empresa tivesse os R$ 1,2 bilhão anunciados.
Azara declarou renda mensal de R$ 1,7 mil, valor incompatível com um negócio bilionário. Mais de 3 mil investidores foram atingidos, com prejuízo estimado em R$ 900 milhões.
De acordo com o MPDFT, "a preservação de planilhas demonstra que investigados conheciam situação real quando prestavam declarações públicas".
Depois que a promessa de rentabilidade desmoronou, surgiu entre os clientes a narrativa de que um comprador bilionário salvaria a empresa e devolveria o dinheiro aos investidores. Para o MPDFT, essa história também era falsa.
Os quatro denunciados respondem por fraude com uso de ativos virtuais ou financeiros e por integração de organização criminosa. O MPDFT sustenta que a estrutura foi usada de forma organizada para captar dinheiro e manter investidores enganados enquanto as contas se deterioravam.
Quem responde pelo caso e em que situação está cada um?
Os três ex-sócios denunciados, Marcelo Liranço Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, estão soltos, com medidas cautelares que proíbem viagem ao exterior sem autorização e atuação no mercado financeiro.
Azara é foragido há dois meses. Ele já responde a outro mandado de prisão preventiva, expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais em julho, por suspeita de desviar R$ 60 milhões de outra fintech, a Zema Financeira, em caso separado do da Naskar.
Segundo reportagens que acompanham o caso, ele foi visto recentemente em Dubai e em Madri, e apareceu em publicações jogando pôquer com influenciadores. Nenhuma defesa dele ou dos demais denunciados havia se manifestado publicamente sobre a nova denúncia até a publicação desta reportagem.
O que acontece agora
Com a denúncia protocolada, cabe à Justiça do DF decidir se aceita as acusações contra os quatro e transforma o caso em ação penal. O mandado de prisão contra Azara segue em aberto enquanto ele estiver foragido.
O caso se soma a outras investigações recentes sobre fintechs que prometiam retornos rápidos e acima do mercado, como a suspeita de pirâmide identificada na AJX Capital, que reúne 10 mil investidores cobrando R$ 350 milhões.


























