O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a disponibilizar nesta segunda-feira (7) mapas-múndi na projeção Equal Earth, que representa o tamanho real dos continentes. A mudança segue a resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 4 de setembro, para substituir a projeção de Mercator.
A projeção de Mercator, criada em 1569 para fins de navegação, amplia as massas de terra ao norte e ao sul da linha do Equador, fazendo a América do Norte e a Groenlândia aparecerem maiores do que são.
Já a África, a América do Sul e o Sul da Ásia ficam menores no mapa tradicional do que são de verdade. A distorção nasce da geometria da própria projeção, não de erro de medição.
Isso quer dizer que o mapa usado em salas de aula e prédios públicos mundo afora exagerava o tamanho de países do hemisfério norte e diminuía o de nações do hemisfério sul, como o Brasil.
Apenas os Estados Unidos votaram contra a resolução "Corrija o Mapa", liderada por Togo e outras nações africanas. O placar final foi de 164 votos a favor e 6 abstenções.
O chanceler de Togo, Robert Dussey, liderou a proposta na Assembleia. Segundo ele, a decisão da ONU reconhece a verdade científica sobre as proporções do planeta e amplia a equidade de representação entre os povos.
O que muda no Brasil?
No Brasil, o IBGE passa a oferecer a partir de hoje, na loja oficial do instituto, a nova versão do mapa-múndi ao lado dos demais modelos lançados entre 2024 e 2026.
A adoção da projeção Equal Earth pela ONU reforça a posição do IBGE de acompanhar continuamente as inovações cartográficas e adotar representações do mundo que dialoguem com as demandas sociais por mais equilíbrio e justiça na forma como mapeamos nosso planeta, diz Maria do Carmo Bueno, diretora de Geociências do instituto.
O instituto brasileiro já vinha lançando versões do mapa-múndi alinhadas à nova projeção desde 2024, dois anos antes da votação na ONU. A aprovação em Nova York acelerou a disponibilização ao público, batizada justamente para coincidir com o feriado de 7 de Setembro.
A resolução da ONU tem caráter recomendatório. Cabe a cada país decidir se adota a nova projeção em livros didáticos e documentos oficiais, sem prazo obrigatório definido.


























