A secretária municipal de Assistência Social de São Paulo, Eliana Gomes, reuniu gestores de entidades que dependem de repasses da prefeitura em um jantar na noite de quinta-feira (17) e anunciou, ali mesmo, um reajuste de 5,5% nos repasses financeiros ao setor.
O salão estava decorado com cartazes de campanha da primeira-dama Regina Nunes (MDB) e do ex-secretário Sidney Cruz (MDB), que pediam voto aos presentes. Regina concorre a deputada estadual, e Sidney, a deputado federal, em dobradinha com ela.
O convite enviado às gestoras, ao qual a reportagem teve acesso, não tinha nenhuma mensagem eleitoral. Descrevia o encontro como uma conversa sobre "os desafios e as perspectivas da assistência social" na cidade.
A categoria busca reajuste desde o ano passado e chegou a fechar parcialmente o viaduto do Chá num protesto em agosto. O anúncio embaralha recursos públicos e campanha, numa categoria que dependia da boa vontade da prefeitura para o reajuste que já pedia.
Segundo o relato de uma presente à reportagem, a escolha do espaço, a Pizzaria Moraes, no Bexiga, já soou estranha. Ao ver os cartazes e o telão de campanha ao lado do palco, as convidadas não tiveram mais dúvidas sobre a real natureza do evento.
Depois do jantar, Eliana Gomes gravou um vídeo nas redes sociais anunciando a medida e creditando o prefeito: "A gestão Ricardo Nunes investe em pessoas. Como consequência, será publicada a portaria de reajuste de 5,5%".
Fiquei sabendo por você sobre esse evento. Portanto, não tenho conhecimento.
A frase é de Sidney Cruz, cotado como possível sucessor de Nunes na prefeitura em 2028, ao ser questionado pela reportagem sobre o jantar.
Prefeito e primeira-dama já enfrentam outra investigação parecida?
Sim. O Ministério Público de São Paulo apura, em inquérito civil aberto após reportagem de maio, se Nunes e Regina cometeram improbidade administrativa por desvio de função de servidor.
O caso envolve Breno de Souza Santos, assessor da Secretaria de Direitos Humanos desde julho de 2025, que atuava como videomaker da pré-campanha de Regina durante o expediente. Ele recebia R$ 5.637 mensais da prefeitura por 40 horas semanais de trabalho.
A secretária da pasta, Regina Célia Santana, também é alvo do inquérito do MP. O índice de reajuste anunciado no jantar deve ser publicado no Diário Oficial na segunda-feira (21), segundo a promessa da secretária às gestoras presentes.





























