Uma instabilidade global no sinal de GPS afetou, na tarde desta terça-feira (22), aeronaves Embraer E2 usadas pela Azul, provocando duas ondas de cancelamentos e atrasos em várias cidades do país. Na segunda onda, mais intensa, 43 aeronaves da frota ficaram impedidas de decolar.
Os hubs de Confins (BH) e Viracopos (Campinas) foram os mais afetados, com atrasos e cancelamentos que se estenderam pela noite também em Brasília, Congonhas e Santos Dumont.
Procurada, a Embraer disse que acompanha a situação "junto aos operadores e ao fabricante do equipamento" de GPS, ou seja, atribui a origem do problema ao fornecedor do sistema, não à aeronave.
A fabricante também afirmou que a frota E2 tem sistemas e procedimentos de navegação redundantes para operar mesmo com instabilidade no GPS, sem risco à segurança do voo.
O que pode ter causado a falha
Nenhuma fonte confirmou até agora se o caso da Azul teve relação com jamming ou spoofing, as duas formas de interferência que embaralham ou falsificam o sinal de satélite. Pode ter sido só uma falha pontual do equipamento.
O que já é fato é que esse tipo de interferência vem crescendo no mundo todo. A FAA registrou 430 mil incidentes de jamming e spoofing na aviação global em 2024, alta de 62% em um ano.
A IATA, em relatório de segurança de 2025, apontou incidentes de spoofing 193% maiores entre 2023 e 2025, e jamming 67% mais frequente no período. A zona afetada já passou do Oriente Médio e do Báltico para partes da América do Sul perto da Venezuela.
O que muda para o passageiro
Clientes da Azul afetados pelo problema desta terça têm direito à assistência prevista na Resolução 400 da Anac, que rege atraso e cancelamento de voo. Mas a mesma Anac limitou recentemente a indenização extra em casos classificados como força maior.
A Embraer, cujo rating de crédito subiu para BBB na Fitch em setembro, não é dona da frota nem responde pela operação da Azul, mas fabrica o avião e o equipamento embarcado que apresentou a falha.
O ponto em aberto
A pergunta que fica é se o episódio desta terça foi um incidente isolado de equipamento ou o primeiro sinal, no Brasil, de um problema que já atinge o Golfo, o Báltico e a fronteira com a Venezuela.
Os números da FAA e da IATA mostram a curva de interferência subindo no mundo todo. O que ainda não se sabe é se o Brasil também entrou nela.





























