Mais da metade dos adultos com diabetes tipo 2 que tomaram a dose mais alta da retatrutida deixou de ter obesidade após 80 semanas, segundo estudo apresentado nesta terça-feira (29) no congresso europeu de diabetes. O remédio não tem aprovação em nenhum país.
Os dados completos do estudo TRIUMPH-2, de fase 3, foram apresentados no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, e publicados ao mesmo tempo na revista The Lancet.
A retatrutida é uma injeção semanal desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, da mesma família do Ozempic e do Mounjaro. Ao contrário dos concorrentes, ela age também sobre o glucagon, hormônio que faz o organismo gastar mais energia.
Um estudo anterior já havia mostrado perda de peso comparável à cirurgia bariátrica com a substância.
Os 1.152 participantes começaram o estudo pesando em média 106,4 kg, com índice de massa corporal (IMC) de 38,2, o que caracteriza obesidade grau 2. O tratamento durou 80 semanas.
Quanto peso os pacientes perderam por dose
A perda de peso variou conforme a quantidade aplicada. Entre os que tomaram a dose mais alta, quase 6 em cada 10 saíram da faixa de obesidade ao fim do estudo.
| Dose semanal | Perda média de peso | Em quilos |
|---|---|---|
| 4 mg | 12,7% | 13,5 kg |
| 9 mg | 19,1% | 20,6 kg |
| 12 mg (dose máxima) | 20,8% | 22,5 kg |
| Placebo | 4% | — |
Entre os pacientes com obesidade mais grave, IMC igual ou acima de 35, a dose máxima levou a uma perda média de 23,4% do peso, ou 27,5 kg.
O resultado também apareceu no controle da glicemia: até 4 em cada 10 pacientes da dose mais alta atingiram níveis normais de açúcar no sangue, com redução da hemoglobina glicada entre 1,5 e 1,6 ponto percentual.
Segundo Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o resultado ganha relevância por se tratar de pessoas com diabetes tipo 2.
O medicamento também mostrou efeitos sobre fatores de risco cardiovascular, com redução de 39,5% nos triglicerídeos e 58,3% na proteína C-reativa, marcador de inflamação, segundo o Metrópoles.
Os efeitos colaterais crescem com a dose
Na dose mais alta, 1 em cada 3 pacientes teve diarreia, e 7,3% relataram alterações de sensibilidade na pele. A maioria dos efeitos foi leve a moderada e desapareceu ao longo do tratamento.
A substância ainda não tem aprovação para venda em nenhum país, mas já circula ilegalmente no Brasil. A Anvisa alertou que versões falsificadas vendidas como caneta emagrecedora resultaram em apreensões de mais de R$ 11 milhões.





























