O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o soldado da PM Vinicius Costa da Silva, de 26 anos, pelo feminicídio da esposa, a técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29, morta com um tiro na cabeça em Embu das Artes.

Ela foi encontrada morta no banheiro do apartamento do casal no dia 6 de setembro. Vinícius está preso desde a tarde do dia seguinte, durante o velório da esposa, e segue detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona Norte de São Paulo.

A denúncia foi oferecida nesta segunda-feira (28), segundo o Metrópoles, e o processo corre em segredo de Justiça. O caso foi registrado inicialmente como morte suspeita, depois que o policial afirmou que a esposa havia cometido suicídio.

O que o laudo contradiz na versão do PM

Exames do IML e do Instituto de Criminalística apontaram inconsistências na dinâmica relatada pelo policial. A trajetória do projétil foi descrita como de trás para frente e da esquerda para a direita.

O exame necroscópico identificou ao menos 16 equimoses nas mãos, pés, joelhos e perna esquerda da vítima, além de escoriações na região cervical.

No boletim de ocorrência, Vinicius afirmou ter chegado em casa por volta das 6h e discutido com a esposa sobre o fim do relacionamento antes de dormir.

Disse ter acordado com um disparo e encontrado Larissa caída no banheiro, ao lado do revólver particular calibre .357 dele.

A avó de Larissa contesta essa versão: segundo ela, a jovem enviou uma mensagem por volta das 9h daquele domingo dizendo que havia terminado o relacionamento, cerca de duas horas antes de ser encontrada morta.

A Polícia Civil também cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Thamires Costa Mathias, irmã de Vinicius, para apurar possível fraude processual e alteração da cena do crime. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, ela é investigada no caso.

Thamires estava na residência no momento da morte, cuidando do filho de 2 anos do casal. Compareceu voluntariamente à delegacia e entregou o celular para análise.

O caso se soma a outro episódio recente de violência letal envolvendo policial militar em São Paulo, registrado em Guarulhos.

O que acontece agora

Com a denúncia recebida pela Justiça, o processo segue em segredo até nova fase da investigação. O Metrópoles procurou a defesa de Vinicius, que não respondeu até a publicação desta reportagem.