A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta semana que anéis e relógios inteligentes não podem ser usados para diagnosticar doenças. Segundo o órgão, os dispositivos são apenas uma ferramenta de acompanhamento de bem-estar, e a confirmação de qualquer problema de saúde deve vir sempre de um profissional habilitado.

O alerta veda três usos específicos para esses aparelhos: diagnosticar doenças, medir a glicemia sem picar o dedo e aferir a oximetria, o nível de oxigênio no sangue. Segundo a Anvisa, os dados não confirmam nem descartam doença, não definem tratamento nem substituem avaliação médica.

Hoje não existe nenhum modelo autorizado pela Anvisa para essas duas últimas funções no país.

O órgão também listou riscos de aparelhos comprados sem regularização sanitária. Um resultado incorreto pode levar a uma decisão errada sobre saúde, como atrasar a busca por atendimento médico.

Há ainda risco de segurança elétrica em equipamento fora do padrão e falta de rastreabilidade, o que dificulta investigar um problema depois que ele acontece.

Quando o dispositivo precisa de registro na Anvisa?

Anéis e relógios vendidos só como acessório de bem-estar ou apoio a atividade física não precisam de registro na Anvisa. A regularização se torna obrigatória quando o aparelho promete medir pressão arterial, oximetria, glicemia, eletrocardiograma ou detectar arritmia (ritmo cardíaco irregular).

Na prática, um anel vendido como monitor de sono ou de passos pode estar fora da fiscalização sanitária, mesmo que a embalagem sugira funções de saúde.

O mercado de anéis inteligentes cresce rápido. A Oura, uma das maiores fabricantes do mundo, prevê US$ 2 bilhões em vendas em 2026, depois de vender 2,5 milhões de unidades só desde meados de 2024.

No Brasil, os modelos ainda são majoritariamente importados, com preço entre R$ 350 e mais de R$ 3.500.

A TV Sim Brasil já mostrou um centro de pesquisa brasileiro usando smartwatches para diagnóstico precoce de doenças. A diferença é que esses projetos são estudos clínicos validados, não o produto comprado em loja. É essa distinção que o alerta da Anvisa reforça agora.

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Em junho, a reportagem também contou o caso de um jovem de 35 anos que foi para a UTI depois de um alerta de arritmia dado pelo próprio smartwatch.

O aparelho não deu o diagnóstico. Ele funcionou como sinal de alerta que levou o paciente a procurar socorro, exatamente o uso que a Anvisa considera seguro.

O que acontece agora

Quem já usa ou pensa em comprar um anel ou relógio inteligente pode conferir a situação regulatória do modelo no site da Anvisa antes da compra. A recomendação vale para quem já tem o aparelho e para quem for comprar um, num mercado em expansão.