Donald Trump e Delcy Rodríguez se encontram nesta terça-feira (22), em Nova York, em conversa à margem da Assembleia Geral da ONU. A pauta põe o petróleo venezuelano no centro da reaproximação, semanas depois de Washington anunciar controle sobre 65 bilhões de barris.
Segundo a Associated Press, será a primeira reunião entre os dois desde a operação militar americana que capturou Nicolás Maduro, em janeiro. O embaixador americano na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, descreveu a agenda como um encontro informal.
Não é uma reunião bilateral completa.
A pauta interessa ao Brasil porque mexe no tabuleiro energético da região. A Casa Branca afirma que o acordo dá aos EUA controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris, volume superior aos cerca de 46 bilhões de barris de reservas comprovadas americanas.
O movimento atualiza a agenda de Delcy com energia e dívida, iniciada na segunda-feira (21) em Nova York. De acordo com o Metrópoles, a delegação venezuelana tratou de energia, mineração e dívida com autoridades e instituições financeiras.
O que está no acordo de petróleo?
O acordo de petróleo envolve 17 campos venezuelanos e prevê direitos de governança, participação econômica e fornecimento a baixo custo para os Estados Unidos, segundo a Casa Branca. O governo americano diz que a estrutura passa por uma nova empresa privada venezuelana.
O Poder360 informa que esses campos somam reservas provadas de aproximadamente 65 bilhões de barris e estima mais de US$ 100 bilhões em investimentos. O mesmo texto cita previsão de US$ 209 bilhões em impostos para o Estado venezuelano.
A versão da Casa Branca sustenta que parte da produção material poderia chegar aos EUA já no início do próximo ano. O governo também diz que haveria petróleo a preço de custo no mercado até o fim de 2026.
Para Trump, o acordo conversa com um problema doméstico. A Casa Branca apresenta a iniciativa como tentativa de reforçar oferta de petróleo e reduzir o preço da gasolina, tema que já pesa sobre a aprovação do presidente americano.
Por que isso pesa para o Brasil?
Isso pesa para o Brasil porque a Venezuela tem uma das maiores bases de reservas do mundo e fica no entorno estratégico brasileiro. Uma mudança no destino do petróleo venezuelano pode alterar fluxos de energia e disputa de influência no continente.
A Agência Brasil registrou, em agosto, que Delcy confirmou o acordo petrolífero depois do anúncio de Trump. A agência também destacou que as reservas venezuelanas são em grande parte mapeadas e conhecidas, o que reduz o risco geológico ante áreas inexploradas.
A conversa ocorre na mesma semana em que Lula leva soberania ao discurso na ONU. A coincidência não transforma as agendas em resposta direta, mas mostra como energia, território e influência externa voltaram ao centro da política continental.
Há ainda o pano de fundo do Oriente Médio. Enquanto autoridades americanas tentam reduzir a centralidade da guerra no Irã na Assembleia Geral, o mercado segue sensível a choques de oferta, como mostrou a análise sobre o petróleo e os ataques houthis.
O que acontece agora
O que acontece agora é a confirmação do teor político da conversa em Nova York e dos próximos passos do contrato. Se o cronograma da Casa Branca se mantiver, a produção deve chegar ao mercado entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Sem produção adicional de fato, o efeito sobre preço e abastecimento fica no campo da promessa oficial.
































