A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, chegou a Nova York nesta segunda-feira (21) para discutir energia, dívida e mineração com interlocutores dos Estados Unidos. As conversas ocorrem na semana da Assembleia Geral da ONU e podem resultar em acordos para setores-chave do país vizinho.

Segundo o Valor, Rodríguez viajou com uma delegação venezuelana e foi recebida no aeroporto por John Barrett, principal diplomata americano na Venezuela. A televisão estatal venezuelana informou a recepção.

Os ministérios das Relações Exteriores e da Informação não responderam de imediato aos pedidos de comentário citados pela reportagem.

O movimento acontece dois dias depois de a TV Sim Brasil mostrar que Trump teria o primeiro encontro com presidente venezuelano em 27 anos. A aproximação também se conecta ao debate sobre por que os EUA reconhecem Delcy.

A União Europeia mantém ressalvas ao novo arranjo político em Caracas.

O que está em negociação

O que está em negociação, segundo fontes ouvidas pelo Valor, inclui energia, dívida e mineração. Ministros venezuelanos já participaram neste mês de uma conferência de energia do G20 em Houston, onde foi assinado memorando com a Continental Resources para área na Faixa do Orinoco.

Essa frente interessa diretamente ao Brasil porque empresas com presença local olham para o gás venezuelano. A TV Sim Brasil publicou nesta segunda que Halliburton e Eneva avaliam negócios de gás no país.

Washington tenta reorganizar concessões, pagamentos e garantias depois da prisão de Nicolás Maduro em operação americana, segundo o Metrópoles.

Outra peça do tabuleiro é financeira. Na semana passada, o portal mostrou que a Venezuela negocia transferir US$ 4 bilhões em ouro para os EUA, sinal de que as conversas não se limitam ao petróleo.

O acordo energético pode virar a porta de entrada para uma renegociação mais ampla de ativos venezuelanos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a forma como Washington passou a conduzir a transição venezuelana. Em entrevista à CNN Internacional, reproduzida por Metrópoles e Valor, ele disse que Delcy deveria convocar eleições nacionais para que a população escolha o próximo presidente.

A soberania do país acabou. Isso não é bom. Não é bom para os EUA, não é bom para a Venezuela e também não é bom para a democracia

Lula também afirmou que Nicolás Maduro deve ser investigado e julgado se cometeu erro. Segundo o Metrópoles, Maduro foi preso em operação militar americana em 3 de janeiro de 2026 e está detido no Brooklyn.

Maduro responde a processo criminal por tráfico de drogas, se declara inocente e não teve condenação até o momento.

O que acontece agora

O que acontece agora é a tentativa de transformar a reaproximação em contratos. Trump e Rodríguez devem se encontrar durante uma recepção do presidente americano, segundo o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, enquanto Lula tenta preservar espaço diplomático para uma saída eleitoral.

Para o Brasil, a questão prática é dupla. Empresas com presença local observam negócios de gás na Venezuela, e Lula critica a tutela americana sobre a transição do país vizinho.

A reunião em Nova York mede quanto desse novo arranjo será comercial e quanto será político.