Mudanças previstas pela Meta para o WhatsApp Business entraram no radar do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Bancos, aéreas, apps de delivery e empresas de IA relataram impactos em atendimento e segurança. Segundo o Poder360, o órgão pediu informações a mais de 40 companhias.

A Meta pretende restringir o uso da ferramenta por empresas que oferecem assistentes de inteligência artificial como produto principal e ampliar a cobrança pelo serviço. O Cade mantém contra Meta e WhatsApp uma multa diária de R$ 250 mil por descumprimento de medida preventiva.

Segundo o Cade, a medida suspendeu termos do WhatsApp Business que proibiriam provedores e desenvolvedores de IA de acessar o ecossistema do aplicativo. O processo começou depois que Luzia e Zapia questionaram mudanças anunciadas para janeiro de 2026.

A disputa brasileira conversa com o debate europeu sobre acesso ao aplicativo. A TV Sim já mostrou que a União Europeia cobrou a reabertura do WhatsApp a chatbots concorrentes.

Quem será afetado?

Quem será afetado são empresas que usam o WhatsApp Business como canal de atendimento, segurança, marketing ou venda. Segundo o Poder360, o Cade ouviu mais de 40 empresas, entre bancos, aéreas, delivery, saúde, tecnologia e IA.

O Bradesco informou ao Cade que não manteria o mesmo nível de interação com clientes sem o WhatsApp Business, sobretudo em notificações de segurança. A Latam disse que a retirada do canal poderia reduzir a cobertura do atendimento assistido.

O iFood declarou que usa o WhatsApp para pedidos por meio do assistente de IA generativa Ailo e para suporte. A Zenvia relatou que a integração é essencial para vender IA conversacional a empresas.

Segundo o Poder360, a Zapia relatou queda forte de usuários e engajamento no Brasil depois de deixar de operar pelo WhatsApp Business. A Salesforce afirmou que a mudança pode elevar custos de soluções empresariais do Agentforce.

Para o usuário, o efeito pode aparecer menos como disputa regulatória e mais como mudança no canal por onde chegam avisos de banco, suporte de voo, pedido de delivery ou assistente de IA.

A Meta e o WhatsApp argumentaram no processo, segundo o Cade, que a API do WhatsApp Business foi desenhada para marketing e atendimento ao cliente. As empresas defendem que a cobrança seria comercialmente razoável.

A própria política do WhatsApp Business diz que os serviços incluem o aplicativo, a plataforma e ofertas futuras. O debate do Cade é se essa regra, aplicada a assistentes de IA, fecha mercado ou apenas organiza o uso empresarial.

O caso entra em uma sequência de mudanças do aplicativo para empresas. A TV Sim já noticiou a pré-reserva de usernames para empresas, outro capítulo das mudanças no uso profissional do aplicativo.

O que acontece agora

O que acontece agora é a continuidade da investigação do Cade, que analisa as respostas das empresas consultadas e mantém a multa diária até comprovação de cumprimento integral. Parte das petições está sob sigilo, inclusive números sobre impactos nas companhias.

O órgão afirma que a cobrança por mensagens de chatbots de IA poderia funcionar como barreira de entrada ou permanência no mercado. A discussão se aproxima de outras frentes de regulação digital, como a cobrança da ANPD a plataformas de IA.

O custo da IA já aparece em outras frentes: a TV Sim mostrou que a energia para IA virou teste para data centers no Brasil.

Se o Cade entender que as mudanças reduzem concorrência, a Meta pode ter de manter acesso de rivais em condições próximas às anteriores. Se aceitar a tese da empresa, bancos, apps e provedores de IA terão de recalcular custo e atendimento.