Um levantamento do Ranking dos Políticos, divulgado pela CNN Brasil, aponta 54 senadores favoráveis a impeachment de ministros do STF a partir de 2027. É exatamente o quórum de dois terços exigido para abrir o processo, que nunca avançou no Senado.
A discussão ganhou força depois do 1º turno das eleições, realizado no domingo (4). O PL elegeu 19 novos senadores e terá bancada de 28 a partir de 2027, maior força do partido na Casa.
Nesta segunda-feira (5), o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), anunciou que se reunirá às 13h desta terça (6) com o presidente do STF, Edson Fachin, após mais de 40 dias de espera pelo encontro.
"Essa questão que está acontecendo aí com essa interferência, na nossa opinião indevida, com a Justiça especializada. Você tem um STF onde você inventou agora um corregedor-geral do Tribunal Eleitoral", disse Marinho.
No mesmo dia, em discurso pelo aniversário da Constituição, Fachin rebateu críticas sem citar nomes: "Conjunturas se alternam, gerações se sucedem, os desafios mudam de roupagem. O Tribunal é maior do que tudo e do que todos, e ele permanecerá".
Por que 54 é o número mágico
Uma liminar do ministro Gilmar Mendes, de dezembro de 2025, fixou o quórum de dois terços dos 81 senadores (54 votos) tanto para aceitar quanto para aprovar um pedido de impeachment contra ministro do STF. Antes da decisão, o rito era menos exigente.
Antes de chegar à votação, porém, cabe ao presidente do Senado decidir se aceita ou arquiva o pedido. Hoje quem ocupa o cargo é Davi Alcolumbre (União-AP), que tem relação desgastada com a oposição por não avançar com pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O Senado nunca avançou em um processo de impeachment contra ministro do STF até hoje, mesmo com tentativas anteriores. O rito completo ainda exige, depois da instauração, parecer de comissão, defesa do ministro e julgamento final em plenário.
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Antes mesmo da eleição, a TV Sim Brasil já tinha mostrado o que poderia definir uma ofensiva de impeachment no STF em 2027.
Outros levantamentos feitos ao longo da campanha chegaram a números um pouco diferentes: em setembro, a oposição discutia reduzir a exigência para 49 assinaturas.
A aritmética do papel vira processo?
O Senado eleito em 2026 teria, pela primeira vez, o número exato de votos para abrir um impeachment contra ministro do STF. Mas o rito nunca saiu do papel antes.
Quem decide se o pedido é sequer analisado é o mesmo cargo que, até aqui, optou por não avançar com pedidos semelhantes.
A pergunta que fica é se a aritmética eleitoral de 2026 muda essa equação, ou se o poder de arquivar continua maior do que o poder de contar votos.





























