O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu por cerca de quatro horas com aliados em um hotel na Asa Sul, em Brasília, nesta segunda-feira (5). O objetivo foi definir a estratégia do 2º turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Flávio teve 47,03% dos votos no 1º turno, contra 45,16% de Lula.
Participaram do encontro o presidente do PT, Edinho Silva, os governadores eleitos Rafael Fonteles (PI) e Elmano de Freitas (CE). Também estiveram as senadoras eleitas Marília Arraes e Luizianne Lins, e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Segundo o Poder360, a campanha definiu ampliar votos no Nordeste e buscar quem não votou no 1º turno. São as duas prioridades da reta final.
"Eu fiz muito pouco rádio nessa campanha, vou ter que fazer mais rádio. Vou ter que fazer mais selfies, vou ter que conversar mais", disse Lula durante o encontro.
Por que Lula fala em "bandidagem" na reta final?
Lula atribuiu ao crescimento do crime organizado a dificuldade dos Estados de garantir segurança pública sozinhos. "O Estado sozinho não dá conta da segurança pública. E por que não dá conta? Porque a bandidagem cresceu", afirmou.
"O crime organizado cresceu, ficou sofisticado, transformou-se numa indústria multinacional", completou o presidente, citando que as facções "entraram no Poder Judiciário, entraram nos partidos políticos, entraram nos clubes de futebol, entraram em tudo quanto é lugar".
Lula voltou a mencionar a PEC da Segurança Pública enviada ao Congresso. A proposta autoriza a União a atuar diretamente na segurança dos Estados.
O texto deve ser votado só após o fim do período eleitoral — tema também tratado na audiência do STF sobre a Lei Antifacção.
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Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro detalha plano próprio para a área, batizado de "Brasil sem medo". A proposta reduz a idade de responsabilidade penal de 18 para 16 anos, com exceção a partir de 14 anos em crimes graves.
O plano também classifica PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas e prevê dobrar o orçamento federal de segurança pública, de R$ 26,4 bilhões para cerca de R$ 52,8 bilhões.
Prevê ainda instalar mais de 1 milhão de câmeras no sistema "Muralha Brasileira" de reconhecimento facial e erguer cinco novas penitenciárias federais, inspiradas no modelo de El Salvador.
"Traficante que resistir e enfrentar o Estado vai ser preso ou vai virar pó", diz um trecho do plano.
A Gazeta do Povo observa que a proposta não detalha prazos nem etapas de implementação.
O que explica a disputa pelo eleitor que faltou às urnas?
A abstenção no 1º turno chegou a 21,08% do eleitorado, o equivalente a 33,4 milhões de pessoas. É o maior percentual para um 1º turno de eleição presidencial desde 1998.
Lula atribuiu o resultado ao desinteresse. "Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral", afirmou o presidente.
A margem entre os dois candidatos no 1º turno ficou abaixo de 2 pontos percentuais. Isso torna o universo de abstenções um alvo direto das duas campanhas até 25 de outubro.
O que acontece agora
O 2º turno está marcado para 25 de outubro. Lula pediu mobilização mais intensa nos próximos 20 dias.
Ele sinalizou que segurança pública, economia e mudanças no Supremo Tribunal Federal devem ser os temas centrais da campanha petista até lá.
A disputa já tem data de confronto direto: Flávio Bolsonaro topou participar de debate com Lula e articula apoios para a fase decisiva da campanha.





























