A OpenAI anunciou nesta segunda-feira (5) o textGrain, marca d'água invisível que identifica textos do ChatGPT e do Codex. O recurso chega nas próximas semanas, só para usuários elegíveis na União Europeia, mesmo caminho que o Claude adotou em agosto.

No Brasil, o carimbo não deve chegar automaticamente por enquanto: a OpenAI restringe o lançamento à União Europeia nesta primeira etapa. Clientes da API, em qualquer país, já podem ativar a tecnologia por conta própria em modelos compatíveis.

A medida busca atender ao AI Act europeu, lei que exige que conteúdos gerados por inteligência artificial possam ser identificados por outros sistemas. A Anthropic, dona do Claude, adotou sua própria marca d'água em agosto, com tecnologia do Google DeepMind.

Como funciona o carimbo

O textGrain atua durante a geração do texto. Modelos de linguagem calculam probabilidades para a próxima palavra, e a tecnologia ajusta essas chances para formar um padrão estatístico que um detector da OpenAI pode identificar depois.

A marca d'água não aparece como etiqueta no texto, não adiciona caracteres invisíveis nem espaços extras. Segundo a OpenAI, ela não identifica o usuário, e os testes da empresa não mostraram queda no desempenho dos modelos com o recurso ativado.

Onde o carimbo falha

Em um teste da própria OpenAI, trocar 10% das palavras por sinônimos derrubou a taxa de detecção de 92% para 66%. A empresa reconhece que textos curtos, respostas de matemática e conteúdo traduzido são mais difíceis de identificar.

A ausência da marca d'água também não prova que um texto foi escrito por uma pessoa: ele pode ser curto demais, ter passado por muitas edições ou ter sido produzido por IA de outra empresa.

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No Brasil, a discussão sobre identificar conteúdo de IA já é regra em outro terreno: a resolução do TSE exige que propaganda eleitoral avise quando usa inteligência artificial.

A OpenAI também promete abrir o código do textGrain, e nos últimos dias vinha repercutindo outros lançamentos, como o modelo GPT-6.1 Sol, anunciado um dia depois de a empresa cancelar outro projeto por risco.

O que acontece agora

A OpenAI afirma que não pretende, por ora, tornar o textGrain um padrão global. Para o usuário brasileiro, o recurso só deve chegar se a empresa decidir expandir o lançamento para fora da União Europeia.