O Ministério da Justiça afirmou, em nota nesta quarta-feira (16), que o Brasil "refuta quaisquer alegações de falhas ou omissões" no combate ao crime organizado. A nota responde à acusação de Trump: o Brasil teria falhado no combate ao PCC e ao CV.
A crítica está em relatório enviado ao Congresso americano na terça-feira (15) pelo Departamento de Estado. Segundo o texto, o Brasil não confrontou as duas facções, que "transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína".
O documento pede que o governo Lula adote "medidas enérgicas" contra os grupos. É o mais recente capítulo da acusação de Trump ao combate brasileiro ao crime organizado.
O relatório é a lista anual que o governo americano envia ao Congresso com os países considerados maiores produtores ou rotas de trânsito de drogas ilícitas. Em 2026, são 23 países citados, e o Brasil não está entre eles.
A crítica ao país apareceu apenas de forma lateral, fora da parte que classifica formalmente o descumprimento — o motivo pelo qual o Brasil ficou fora da lista já foi detalhado pela TV Sim Brasil.
É essa distinção que o Ministério da Justiça usa para rebater o texto americano. Em nota, o órgão argumenta que "a alusão registrada no texto não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana que rege esse mecanismo anual".
E completa: a menção ao Brasil é uma "manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva".
O que o governo brasileiro cita como resposta
O Ministério da Justiça responde à crítica com três frentes: a Lei Antifacção, sancionada por Lula após aprovação no Congresso; a cooperação bilateral já existente com os EUA; e o volume de operações contra o crime organizado no país.
Segundo a nota, são dezenas de milhares de operações de forças federais, com bilhões de reais em prejuízo às facções. O órgão também cita o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano.
Segundo a nota, o programa "sufoca economicamente as facções, fortalece o sistema prisional, qualifica a investigação de homicídios e enfrenta o tráfico de armas". A crítica americana, diz o ministério, desconsidera essas medidas.
Entre elas está a operação da PF que bloqueou R$ 508 milhões de facções nesta semana. A tensão entre os dois governos sobre o tema não é nova.
Em maio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, designou o PCC e o Comando Vermelho como "Specially Designated Global Terrorists" — decisão publicada no Federal Register em junho e tratada pelo governo Lula como um atentado à soberania brasileira.
Em julho, os EUA ainda sancionaram dois brasileiros e empresas ligadas às facções por suspeita de lavagem de dinheiro. A crise já teve outro efeito prático: os EUA passaram a segurar vistos de agentes da Polícia Federal.
O que acontece agora
O tema deve voltar à cena em uma semana. O secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey, disse que Lula pretende citar as medidas brasileiras contra o crime organizado.
A fala será no discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro, em Nova York.
"Imagino que ele vai abordar esse assunto pelo aspecto do que o Brasil está fazendo nessa área e o grau de cooperação internacional que venha a existir", afirmou o embaixador.
Cozendey também citou a cooperação bilateral em curso: "Com o próprio EUA temos cooperação de troca de informações e de busca de cooperação para permitir a responsabilização dessas entidades criminosas de maneira bastante constante", disse, em briefing à imprensa.





























