O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja neste domingo (20) a Nova York para discursar na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22). Segundo o Itamaraty, é a última viagem internacional de Lula antes das eleições de outubro, com uma comitiva "enxuta".

A viagem também marca a ausência de Lula à Cúpula do Brics, que ele já havia decidido pular para fazer campanha no Brasil. Desta vez, o presidente interrompe a agenda eleitoral pelo compromisso oposto: aparecer no palco mais visível da diplomacia mundial.

Segundo apuração da CNN, o discurso vai rejeitar medidas coercitivas unilaterais dos Estados Unidos, incluindo tarifas e a Lei Magnitsky aplicada a autoridades brasileiras.

Uma fonte diplomática ouvida pela reportagem diz que o Itamaraty sempre se opôs a sanções unilaterais, mas que a novidade é o Brasil ter virado alvo direto delas.

É a mesma lei que os Estados Unidos avaliam usar de novo contra o ministro Alexandre de Moraes nesta semana. Sem citar Trump pelo nome, Lula deve defender a soberania brasileira apoiado em princípios de direito internacional já consolidados.

O tom se soma ao que Lula já vinha dizendo em campanha. Em comício no Piauí, ele afirmou que os Estados Unidos não devem interferir nas eleições de outubro.

A tradição que antecede o discurso de Trump

O Brasil abre o Debate Geral da Assembleia da ONU desde 1955, por tradição diplomática mantida até hoje. Nesta edição, o discurso de Lula sobre soberania precede o de Donald Trump, autor das medidas que a fala brasileira vai rebater sem nomear.

Lula também deve tratar da criação de um Estado palestino, tema de uma conferência de alto nível que o Brasil copresidiu na fase preparatória, ao lado de Austrália, Canadá e França.

Sobre a guerra na Ucrânia, a expectativa é de um tom mais comedido, refletindo os laços comerciais do Brasil com a Rússia e a coordenação dentro do BRICS.

O que acontece agora

A viagem vem dias depois de o bloco ter criticado as tarifas dos EUA numa cúpula da qual Lula ficou de fora. Depois do discurso de terça (22), o presidente retorna ao Brasil, sem outra viagem internacional prevista até outubro.