A conta de luz no Brasil está em bandeira amarela pelo quinto mês seguido, confirmou a ANEEL para setembro. A cobrança extra é de R$ 1,89 a cada 100 kWh consumidos, reflexo da estiagem que reduziu os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste a 60% da capacidade.

A bandeira amarela está ligada desde maio, em meio ao quadro de estiagem que o El Niño ajuda a explicar. Os reservatórios do Sul e do Norte seguem acima de 90%, prova de que o aperto hidrológico está concentrado no Sudeste e no Centro-Oeste.

A cada mês, a ANEEL decide a cor da bandeira com base nas condições de geração de energia. A amarela é o segundo nível mais barato do sistema, criado em 2015.

No topo da escala, a vermelha patamar 2 cobra R$ 7,87 por 100 kWh, mais de quatro vezes o valor cobrado hoje.

Para o setor produtivo, a notícia é agridoce. Um dos coordenadores da Fiemg avalia que manter a bandeira amarela é um alívio diante do cenário, mas destaca que o país atravessa o pico da estiagem no Sudeste, situação que pode não durar.

Na prática, quem consome 150 kWh por mês paga hoje R$ 2,83 a mais só por causa da bandeira amarela.

É um valor pequeno isoladamente, mas se soma ao fim de um benefício temporário que havia reduzido a tarifa em agosto e não se repete em setembro.

Quanto a conta deve subir até o fim do ano

A ANEEL projeta alta média de 8,6% na conta de luz em 2026, quase o dobro da inflação medida em agosto, de 4,9% pelo IPCA. O boletim InfoTarifas, criado pela agência em 2025, mede o efeito a cada trimestre.

A alta prevista nasce de cinco frentes diferentes, detalhadas pela ANEEL no InfoTarifas.

Composição da alta de 8,6% projetada para a conta de luz em 2026 — ANEEL, InfoTarifas (2ª edição, divulgada em 15/06/2026)
ComponenteImpacto
Componentes financeiros (contratos de disponibilidade e ajuste hidrológico)4,3 p.p.
Encargos setoriais (subsídios da CDE)1,4 p.p.
Compra de energia1,1 p.p.
Distribuição0,9 p.p.
Transmissão0,8 p.p.

O UBP (Uso do Bem Público) desconta 1,6 ponto percentual do total, ao beneficiar 22 distribuidoras das regiões Sudam e Sudene. Os subsídios da CDE somam R$ 47,8 bilhões previstos para 2026.

A chuva de outubro decide o resto do ano

O cenário pode mudar rápido. Se as chuvas de outubro e novembro chegarem fracas, a bandeira pode subir de amarela para vermelha antes do fim do ano, encarecendo a conta. Se vierem fortes, o alívio nos reservatórios pode segurar a tarifa pelo resto de 2026.