O canal direto entre Lula e Donald Trump continuou aberto depois da “excelente química” citada pelo americano na ONU em 2025, mas não resolveu a guerra comercial. Em 2026, os Estados Unidos voltaram a impor tarifas, e o Pix entrou no centro da disputa.
Segundo o InfoMoney, o encontro de 2025 nos corredores da Assembleia Geral da ONU durou poucos minutos, mas mudou uma relação que até então acumulava crises sem diálogo direto entre os presidentes.
Trump havia imposto tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros e associado a medida ao tratamento dado no Brasil a Jair Bolsonaro. Lula reagia acusando Washington de interferência em assuntos internos.
Depois do discurso em que criticou tarifas, sanções e restrições de vistos, Lula cruzou com Trump. O americano saiu dizendo que os dois tiveram “excelente química” e que pretendia voltar a conversar com o presidente brasileiro.
A fala mexeu com o mercado. O InfoMoney registrou que o real avançou cerca de 1% e o Ibovespa chegou a recorde naquele pregão, reação que ajudou a transformar o gesto diplomático em fato econômico.
O que mudou depois da conversa?
O que mudou depois da conversa foi o canal pessoal, não o conflito de fundo. Segundo o InfoMoney, Lula e Trump passaram a manter contatos diretos e autorizaram auxiliares a avançar em negociações comerciais.
Esse canal apareceu de novo em agosto de 2026, quando Lula telefonou para Trump. De acordo com a Agência Brasil, a conversa durou 1 hora e 20 minutos e foi classificada pelo Planalto como cordial.
Na ligação, Lula defendeu a retomada das negociações e disse que as alegações americanas para novas tarifas eram infundadas. O governo dos EUA citava desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e trabalho forçado.
A tensão também aparece na agenda pública. A TV Sim mostrou nesta terça que Lula levou soberania ao discurso na ONU, justamente antes da fala de Trump no mesmo palco.
Onde o acordo trava?
Onde o acordo trava é no pacote de concessões. Segundo o InfoMoney, o Brasil ofereceu abertura de mercados importantes para a economia americana, mas recusou mudanças em temas como Pix e etanol.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apontou o Pix como possível barreira competitiva a empresas americanas de pagamentos. Lula respondeu que o sistema é brasileiro e chamou as alegações do tarifaço de falsas.
Em 2026, Washington anunciou tarifas de 25% e 12,5% sobre diferentes grupos de mercadorias. As medidas passaram a atingir 23,1% das exportações brasileiras, segundo cálculos do governo citados pelo InfoMoney.
A foto da aproximação não virou trégua automática; ela virou uma mesa de negociação permanente. O contraste com a agenda global de Trump também pesa, num momento em que a TV Sim registrou a trégua com Xi Jinping e a ofensiva americana sobre petróleo venezuelano.
O que acontece agora
O que acontece agora é a negociação setorial entre os governos. Para o Brasil, a prioridade é reduzir tarifas sem ceder em Pix e etanol.
Para Trump, o tema virou parte da agenda comercial que ele também usa em conversas com China, Venezuela e países aliados.





































