O governo da China defendeu nesta quinta-feira (17/9) a realização das eleições no Brasil e disse desejar uma conclusão bem-sucedida do pleito, após perguntas sobre a pressão dos Estados Unidos contra o combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
A China sempre aderiu ao princípio da não interferência em assuntos internos. Desejamos que as eleições gerais brasileiras tenham uma conclusão bem-sucedida.
A frase é do porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, dita a repórteres nesta quinta. Ele respondia a uma pergunta sobre as críticas de Trump ao combate brasileiro ao PCC e ao CV.
A manifestação ocorre dias depois de os EUA enviarem ao Congresso um relatório que chama de fracasso o combate brasileiro às duas facções. Washington incluiu o PCC e o CV na lista de organizações terroristas em maio.
O governo brasileiro rejeitou a acusação de omissão e citou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado no mesmo mês. O país já havia recusado o pedido dos EUA para classificar as facções como organizações terroristas.
Nesta quarta (16/9), Lula disse ter alertado Trump para não interferir no processo eleitoral brasileiro. Por telefone, no fim de agosto, segundo fontes do governo brasileiro, Trump havia prometido a Lula que os EUA não se envolveriam nas eleições do Brasil.
A disputa também ganhou lado partidário: Flávio Bolsonaro (PL) diz que, eleito, alinharia o Brasil à aliança de Trump contra o crime organizado.
Um documento revelado nesta quinta (17/9) pelo Estadão mostra que os EUA já haviam exigido, em outubro de 2025, a participação de dissidentes políticos na eleição brasileira, sem impedimentos arbitrários. O Itamaraty rejeitou a proposta: o termo não tem validade jurídica numa democracia.
A aposta diplomática na China
O adensamento da relação com Pequim ganhou força na quarta (16/9), quando o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, entregou ao chanceler chinês Wang Yi uma carta de Lula endereçada a Xi Jinping.
Na carta, Lula defendeu mais cooperação entre os países em inteligência artificial e minerais críticos. Segundo o Itamaraty, os dois lados também defenderam o multilateralismo e condenaram interferências em assuntos internos de outros países.
Guo Jiakun resumiu a relação de outro modo: "as relações China-Brasil deram um salto qualitativo, passando de uma parceria estratégica abrangente para uma comunidade com um futuro compartilhado", disse, ao comentar a comunicação frequente entre Xi Jinping e Lula.
O que acontece agora
Lula deve discursar na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, ainda este mês. O Itamaraty sinaliza que o presidente vai defender publicamente, no discurso, a não interferência estrangeira nas eleições brasileiras.



























