Clubes de futebol brasileiro se uniram nesta quinta-feira (17) contra a possível proibição de jogos de apostas on-line pelo governo federal. Em nota conjunta, Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Botafogo e outros times defenderam a manutenção do mercado regulado de bets.

A manifestação reage a uma reportagem do UOL, publicada na quarta-feira (16), segundo a qual o governo prepara uma medida provisória para proibir cassinos on-line e restringir apostas esportivas.

Segundo o levantamento dos clubes, 13 dos 20 times da Série A do Brasileirão têm contrato de patrocínio master com casas de apostas. A estimativa é de impacto de R$ 1 bilhão nessa receita caso o mercado seja proibido.

"A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência", diz a nota, assinada por 11 clubes da Série A e três federações estaduais.

O que motiva a resistência dos clubes

Para os times, o futebol feminino, a formação de atletas e as equipes de menor expressão seriam os principais alvos da mudança, por dependerem mais dessas receitas para se sustentar.

Segundo os clubes, o dinheiro das apostas hoje sustenta o que a bilheteria e a TV sozinhas não pagam: centros de treinamento, categorias de base e o futebol feminino.

O manifesto termina em tom direto: "O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é que acaba".

Na véspera, Lula disse ter "disposição pessoal" para acabar com as bets e comparou o endividamento provocado pelas apostas ao vício em crack. O presidente afirmou, porém, que ainda considera a opinião da sociedade antes de decidir.

A hesitação tem histórico: artistas já promoveram campanha contra o jogo clandestino do Tigrinho em junho, e o próprio zagueiro Danilo apoiou ação contra apostas on-line no mesmo mês.

O que acontece agora

Segundo apurou o portal ge, o texto da medida provisória está pronto, com publicação prevista para a próxima terça-feira (22). Uma ala do governo tenta emplacar só a proibição de jogos como o Tigrinho, sem mexer nas apostas esportivas.

Se essa versão prevalecer, a proibição atingiria cassinos virtuais, sem mexer diretamente no patrocínio esportivo que os clubes querem preservar. É o mesmo impasse que explica por que o Planalto ainda hesita em publicar a MP.