O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), usa sua influência em Brasília para tentar evitar a derrota de seu grupo político na disputa pelo governo do Amapá, hoje liderada com folga pelo ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), favorito para outubro.
Alcolumbre não é candidato nesta eleição, mas atua como se fosse. Sob risco de ficar isolado politicamente quando for tentar a própria reeleição ao Senado, em 2030, ele mobiliza toda a máquina federal a seu alcance.
Alcolumbre indicou dois ministros de Estado e controla um orçamento bilionário de emendas parlamentares, além de cargos federais como a direção da Codevasf, estatal de obras que ele levou ao Amapá para distribuir máquinas e recursos.
Ele conta com o apoio de 90% dos deputados estaduais e federais do Amapá, de 15 dos 16 prefeitos do estado, do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do atual governador, Clécio Luís (União Brasil), eleito no primeiro turno há quatro anos.
Alcolumbre também montou a maior coligação desta eleição, com 12 partidos, usando o prestígio junto às direções nacionais das siglas. Até o presidente Lula foi ao Amapá durante a campanha, embora o estado costume ficar fora do radar das disputas nacionais.
O adversário, no entanto, é o favorito. Dr. Furlan tem o apoio de só quatro partidos, mas construiu popularidade própria, independente da máquina que Alcolumbre montou em Brasília.
Ele apostou em shows gratuitos, forte presença nas redes sociais e obras que mudaram a paisagem de Macapá, e se apresenta como prefeitão, prometendo levar seu modelo de gestão ao resto do estado.
Em 2024, Furlan foi reeleito prefeito de Macapá com 85% dos votos. O resultado pesa ainda mais no Amapá porque 55% dos 577 mil eleitores do estado estão na capital, e outros 15% moram na região metropolitana.
Pesquisas feitas em agosto apontam vantagem folgada de Furlan sobre o atual governador, aliado de Alcolumbre, na disputa pelo governo estadual.
Na noite de 14 de agosto, véspera do início oficial da campanha, Alcolumbre passou quatro horas distribuindo abraços, ouvindo demandas e dançando brega numa feira em Macapá, evento retomado pela atual gestão para fazer frente aos shows gratuitos do adversário.
A disputa em casa ocorre enquanto Alcolumbre enfrenta pressão em outra frente: o senador Alessandro Vieira acionou o STF para forçar o Senado a instalar a CPI do Banco Master, que o presidente da Casa vem resistindo a abrir.
O que acontece agora
A campanha no Amapá segue até 4 de outubro, data da votação em primeiro turno para os governos estaduais. Sem maioria absoluta, o Estado vai a segundo turno três semanas depois.
Alcolumbre segue mobilizando cargos, emendas e aliados até lá; do outro lado, Furlan aposta em manter a popularidade que já lhe deu 85% dos votos na própria cidade.


























