A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira (14) em Presidente Prudente (SP) dois suspeitos de planejar a morte do promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, e do coordenador de presídios Roberto Medina. Victor Hugo da Silva, o "VH", e Adilson Oliveira Junior, o "Ju Machado", são apontados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como integrantes do núcleo do PCC responsável pelo plano. A reportagem não localizou a defesa dos dois até a publicação; o espaço segue aberto para manifestação.
Segundo a denúncia do MPSP, o grupo teria divisão rígida de tarefas. Ainda de acordo com o órgão, Victor Hugo atuaria como executor operacional, fazendo vigilância de campo, filmando trajetos e residências e coletando placas de veículos usados pelos alvos. Adilson seria o interlocutor do núcleo, responsável por assuntos sensíveis da organização e por ajudar a apagar provas digitais.
Os outros dois apontados como integrantes do grupo já haviam sido denunciados antes. Conforme o MPSP, Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha", atuaria como coordenador e operador logístico, e Sérgio Garcia da Silva, o "Messi", faria a inteligência sobre a rotina de Gakiya em Presidente Prudente, além de intermediar negociações de armas.
O que embasa a denúncia contra o grupo
De acordo com o MPSP, a denúncia foi protocolada em 27 de julho. Os quatro respondem por integrar organização criminosa armada — trata-se de acusação, e nenhum deles foi julgado ou condenado até agora. O órgão não caracterizou o caso como ameaça direta, já que não houve comunicação de intimidação às vítimas.
Segundo o MPSP, as provas incluem vídeos e áudios encontrados nos celulares dos suspeitos, com a rotina de Gakiya e de Medina documentada em detalhe. Ainda conforme o órgão, um dos suspeitos teria usado drone para monitorar a residência do promotor e guardado prints do trajeto diário dele.
Também foram apreendidos, segundo a acusação, registros eletrônicos que indicariam a presença dos suspeitos em pontos de vigilância. O MPSP afirma que documentos encontrados com o grupo traziam instruções para apagar contas de e-mail e resetar remotamente aparelhos, numa tentativa de dificultar a perícia.
O MPSP descreveu a estrutura como hierárquica e ativa desde pelo menos junho de 2025. Cada suspeito cumpriria uma função sem necessariamente conhecer o plano completo — fragmentação que, segundo o órgão, dificultou a identificação do núcleo até aqui.
Lincoln Gakiya é promotor do Gaeco em Presidente Prudente e um dos nomes mais conhecidos no combate ao PCC no país.
Este não é o primeiro plano da facção contra ele identificado pelas investigações.


























