A União Europeia não deve voltar a comprar carne bovina do Brasil antes de dois anos, mesmo após o fim do bloqueio que passa a valer em 3 de setembro, afirma André Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, órgão consultivo do Ministério da Agricultura.
O bloqueio, que também atinge frango e mel, foi anunciado em maio depois de a UE excluir o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre uso de antimicrobianos na pecuária — nenhuma irregularidade foi encontrada na carne brasileira, mas o bloco considera insuficiente o controle que o país faz sobre essas substâncias. O Brasil pode perder mais de US$ 500 milhões com a medida.
Por que o prazo é de dois anos?
Bartocci explica que o período está ligado ao ciclo de vida do boi: um animal que começar hoje a seguir os novos protocolos sobre antimicrobianos vai levar cerca de 24 meses para estar pronto dentro dos novos padrões europeus. Ele diz ter recebido essa informação em reunião com o Ministério da Agricultura há duas semanas. Procurada, a Comissão Europeia não confirmou o prazo de dois anos, mas disse que a retomada das exportações "dependerá dos ciclos de produção dos animais". O Ministério da Agricultura não respondeu a pedidos de entrevista.
Brasil é o único do Mercosul barrado
Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a exportar à União Europeia — só o Brasil foi excluído da lista. Representantes do agro brasileiro veem a medida como um ato protecionista, já que foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, alvo de forte resistência de agricultores europeus. Uma missão da UE deve visitar o Brasil no fim de agosto para verificar os novos protocolos criados pelo governo brasileiro, mas o relatório só será analisado pelo comitê europeu responsável em novembro.














