O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (14) que o Partido dos Trabalhadores errou ao não abrir uma CPI própria sobre fraudes no INSS em maio. Em entrevista aos podcasts "Não Inviabilize" e "As Cunhãs", ele também comentou a investigação contra o filho, Luiz Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, no mesmo escândalo.

Segundo o Poder360, a Comissão Parlamentar de Inquérito apura descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Em maio, a bancada do PT preferiu assinar um requerimento próprio.

O pedido foi apresentado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), em vez de o partido subscrever o requerimento da oposição, que já reunia mais assinaturas.

A oposição também havia protocolado pedido de CPI para a fraude bilionária no INSS, segundo o Portal da Câmara dos Deputados.

Meses depois, o líder do PT no Senado passou a defender a criação de uma CPMI sobre o tema, enquanto o Palácio do Planalto seguia contrário, informou a CNN Brasil.

Lula reconheceu o recuo nesta sexta.

"Eu deveria ter chamado a CPI", afirmou o presidente. "Eu defendia que era o PT que deveria ter chamado uma CPI", completou, atribuindo a decisão do partido ao temor de uso político da apuração enquanto estava no comando do governo.

A investigação sobre o filho do presidente

O nome de Luiz Cláudio Lula da Silva aparece no mesmo escândalo. O inquérito que apura seu envolvimento no esquema de descontos indevidos está sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

"Se ele fez ou não fez, ele jura que não fez. Se não fez, então brigue. Não seja covarde, brigue", disse Lula sobre o filho.

O presidente afirmou que não vai pedir o encerramento da apuração. "Ninguém vai pedir o fechamento de processo do meu filho", declarou, segundo o Poder360. "Se você é inocente, vá à luta. Se for culpado, contrate um advogado", completou.

Lula comparou a situação à própria passagem pela Lava Jato.

"Só quero que ele faça como eu fiz. Fiquei 580 dias na cadeia e saí com a cabeça mais erguida do que quando entrei", disse o presidente, em referência à prisão que cumpriu durante a Operação Lava Jato.

"Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Agora, ele já foi acusado de muitas coisas. Toda eleição aparece meu filho", disse o presidente, encerrando o assunto na entrevista.

O que ainda está em aberto no Congresso

O líder do PT no Senado defende a CPMI do INSS, mas o Planalto segue contrário, segundo a CNN Brasil.

Com o presidente admitindo publicamente o erro de maio, fica a pergunta se o governo muda de posição antes de o inquérito sob relatoria de Mendonça chegar a uma conclusão no STF.