O agronegócio brasileiro exportou US$ 16,34 bilhões em julho de 2026, alta de 5,4% sobre o mesmo mês do ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O resultado é recorde para o mês e representa 47,9% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no período.

As importações do setor recuaram 2,8%, para US$ 1,75 bilhão, o que ampliou o superávit do agro em 6,5%, para US$ 14,59 bilhões. No acumulado de janeiro a julho, as exportações somam US$ 103,39 bilhões, alta de 6%, com saldo comercial de US$ 91,68 bilhões.

O que puxou o resultado?

O complexo soja respondeu por US$ 7,15 bilhões, alta de 22,4%, e concentrou cerca de 44% de tudo que o agro exportou no mês. A soja em grão somou US$ 5,87 bilhões, enquanto o óleo de soja saltou 163,1%, para US$ 382,8 milhões.

As carnes somaram US$ 2,9 bilhões, com alta de 5,2%. O frango foi o destaque, com receita de US$ 971,9 milhões, avanço de 35,5%. A carne bovina seguiu direção oposta: US$ 1,57 bilhão, queda de 5,8% na receita, com o volume embarcado recuando 16,8%.

Nem todo produto teve julho positivo. O complexo sucroalcooleiro caiu 27,6%, com o açúcar recuando 30,1% na receita. O café também perdeu força, com queda de 18,2%.

Quem compra do Brasil?

A China concentrou 34,5% das vendas do mês, equivalente a US$ 5,64 bilhões. A União Europeia ficou com US$ 2,4 bilhões. Segundo o levantamento, os cinco maiores grupos exportadores do setor respondem sozinhos por 82,8% de tudo que o Brasil vendeu em julho.

É um mercado concentrado tanto no destino quanto em quem exporta.

O desempenho do agro também sustenta o resultado geral do comércio exterior brasileiro.

Segundo a Agência Brasil, a balança comercial total do país fechou julho com superávit de US$ 7 bilhões, com exportações de US$ 34,1 bilhões. Ou seja, quase metade de tudo que o Brasil exportou no mês veio do campo.

Para especialistas em direito tributário, o recorde de faturamento não significa ausência de desafios fiscais.

Bruno Medeiros Durão, especialista em recuperação de tributos e fundador da DAP Advocacia, alerta: "Quando uma empresa amplia significativamente seu faturamento e suas operações de exportação, também aumenta a complexidade da sua estrutura fiscal."

"O crescimento da receita precisa vir acompanhado de uma revisão do planejamento tributário, dos créditos acumulados e da forma como os tributos estão sendo apurados", completa Durão.

Adriano de Almeida, advogado tributarista e sócio da DAP Advocacia, reforça que a exportação exige controle rigoroso.

"A exportação possui características tributárias próprias e exige controle rigoroso das operações, dos documentos e dos créditos envolvidos. Em um cenário de expansão, falhas de classificação, apuração ou aproveitamento de créditos podem representar valores relevantes para a empresa", explica Almeida.

O que muda com a Reforma Tributária

O alerta dos advogados ganha peso porque o recorde do agro coincide com a implementação gradual da Reforma Tributária no Brasil.

Empresas exportadoras terão de recalcular margens e fluxo de caixa conforme as novas regras de tributação sobre o consumo entram em vigor nos próximos anos, ajuste cujos efeitos práticos completos o setor ainda não conhece.