O presidente Lula disse a aliados nesta quarta-feira (6) que pode telefonar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana — mas a data ainda não foi definida. O contato ocorreria em meio à tensão diplomática agravada pelos dois tarifaços dos EUA e pela revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Segundo interlocutores do presidente ouvidos pelo blog do Valdo Cruz, no g1, a equipe de Lula ainda não começou a preparar a ligação nem definiu os temas que seriam tratados. A estratégia já foi usada por Lula antes: buscar Trump depois que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, toma alguma medida contra o Brasil.

O que motivou a revogação do visto da embaixadora?

O governo Trump alegou dois motivos para cassar o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti: a demora do Brasil em dar aval a Daniel Perez, indicado para embaixador dos EUA no país, e a negativa de visto a dois funcionários do Departamento de Estado americano que viriam ao Brasil questionar o processo eleitoral. Em nota, o governo brasileiro disse que o processo de Perez está em análise e que negou os vistos porque os funcionários vinham para questionar a eleição.

O Palácio do Planalto classificou a revogação como parte de uma "escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil" e disse ver nela "o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente".

O que Lula disse sobre a tensão com Washington?

Em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Três Elementos, Lula chamou a cassação do visto da embaixadora de atitude "irresponsável, impensada para um país que tem 203 anos de diplomacia". Na mesma entrevista, disse já ter ligado para o chinês Xi Jinping e conversado com o russo Vladimir Putin sobre a guerra na Ucrânia, e defendeu que os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU se reúnam para negociar o fim do conflito.