As alianças partidárias fechadas para a eleição presidencial de 2026 já definem quanto tempo de TV e rádio cada pré-candidato terá na propaganda eleitoral gratuita. Lula (PT) soma federação e coligações que ampliam sua exposição, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) disputa sem alianças nacionais, mas mantém boa fatia por ter a 2ª maior bancada da Câmara.

Quanto tempo de TV cada pré-candidato vai ter?

Lula será beneficiado pela federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e por uma coligação em negociação com PSB, PDT e a federação PSOL-Rede, que ainda precisa ser formalizada pela Justiça Eleitoral. Segundo o advogado eleitoral Flávio Pires Vieira, do IDP, se a coligação for confirmada, Lula soma a representação parlamentar dos maiores partidos aliados, ganhando mais tempo de propaganda e capilaridade nacional. Já Flávio Bolsonaro não conseguiu o apoio esperado de Podemos, Republicanos e da federação PP-União Brasil, e disputa em chapa pura com o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) — mas o PL, com 98 deputados, é a 2ª maior bancada da Câmara e ainda garante um dos maiores tempos de TV. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), apesar de bem posicionados nas pesquisas, não terão direito a propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV porque seus partidos não cumprem a cláusula de desempenho da Emenda Constitucional nº 97/2017.

Como fica o dinheiro de campanha entre os aliados?

Partidos em coligação ou federação também podem repassar recursos entre si, somando o Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário de cada legenda. Em 2026, o PL recebeu a maior fatia do Fundo Eleitoral, R$ 881,6 milhões, seguido pelo PT, com cerca de R$ 615,4 milhões, e pelo União Brasil, com cerca de R$ 526,2 milhões — juntos, os três partidos concentram cerca de 40% do fundo total. O teto de gastos fixado pelo TSE para campanhas presidenciais em 2026 é de R$ 133 milhões. A advogada eleitoral Gabriela Rollemberg cita como exemplo a expectativa de que o PT banque parte da candidatura de Simone Tebet ao Senado, por ser uma aliança construída "de cima para baixo".