O governo Lula adiou a reunião marcada para esta terça-feira (29) com clubes de futebol sobre os efeitos da proibição das bets. Segundo o Jornal de Brasília, clubes articularam boicote ao encontro, que discutiria uma linha de crédito de R$ 20 bilhões para o setor.

O encontro reuniria, no Palácio do Planalto, representantes dos clubes das Séries A, B, C e D do Brasileirão, federações estaduais e o presidente da CBF, Samir Xaud.

Oficialmente, o governo atribuiu o adiamento à "proximidade da data inicialmente proposta e à disponibilidade de voos para o deslocamento dos participantes". O Jornal de Brasília, porém, apurou que o motivo real foi a articulação dos clubes para esvaziar a reunião.

Os presidentes Leila Pereira, do Palmeiras, e Luiz Eduardo Baptista, do Flamengo, lideraram a articulação pelo boicote, segundo o jornal. Nenhum dos dois se manifestou publicamente sobre o assunto.

Por que os clubes reagem à proposta do governo

A proposta em discussão é o Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional, com linha de crédito de até R$ 20 bilhões.

A ideia é permitir que clubes endividados troquem dívidas mais caras por financiamentos de longo prazo e juros menores, com o BNDES entre as instituições envolvidas na estrutura, segundo o Diário 360.

O programa é a resposta do governo à perda de receita que a proibição das bets causa ao futebol. As casas de apostas viraram uma das principais fontes de patrocínio dos clubes, estampadas em camisas e placas de publicidade.

O impacto da proibição já apareceu em outros indicadores: o volume de transações via Pix caiu 10% depois do banimento das bets, segundo levantamento do setor financeiro.

Entre os clubes, prevalece a avaliação de que trocar o patrocínio das bets, que rende caixa imediato, por um empréstimo não compensa no curto prazo, mesmo com a promessa de melhorar as contas mais à frente.

A Medida Provisória 1394, assinada por Lula em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país.

A proibição atinge tanto apostas esportivas quanto jogos on-line. O Fluminense já havia pedido um período de transição, alegando prejuízo com o fim repentino dos contratos de patrocínio.

A medida ainda pode ser contestada no STF: o governo já pediu que a Corte aguarde 72 horas antes de decidir sobre o tema. O setor de apostas também recorreu à Justiça comum contra a MP.