Os preços do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira (29), com a retomada das exportações da Arábia Saudita após ataques houthis. O Brent recuou 2,56%, a US$ 102,59 o barril, mesmo sem acordo entre Estados Unidos e Irã na guerra no Oriente Médio.

O WTI, referência americana, caiu 3,48%, a US$ 89,38 o barril. Ainda assim, o Brent caminhava para um ganho mensal de cerca de 13%, reflexo da tensão acumulada ao longo de setembro.

A Arábia Saudita retomou o carregamento de petroleiros no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, após reiniciar o oleoduto Leste-Oeste, paralisado por ataques dos rebeldes houthis. A rota é uma alternativa ao Estreito de Ormuz, que segue bloqueado.

"Com a retomada dos fluxos pelo oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, as exportações da região estão, agora, apenas 11% abaixo dos níveis anteriores à guerra", apontam estrategistas de commodities do J.P. Morgan, em nota.

"Estamos acompanhando os mercados muito de perto", disse à Reuters o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, sobre a possibilidade de os países-membros liberarem mais reservas estratégicas.

O ponto em aberto

O Citi projeta o Brent abaixo de US$ 70 ao longo de 2027, à medida que os fluxos regionais se normalizam. Mas o oleoduto saudita opera hoje com metade da capacidade, e o Estreito de Ormuz segue driblado por navios que atravessam de forma discreta.

Enquanto a guerra não termina, cada novo ataque ou trégua no Oriente Médio segue com potencial de repetir o ciclo já visto em agosto e setembro: petróleo sobe, e diesel e gasolina pressionam o bolso do brasileiro; petróleo cai, e a conta alivia.