O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) multou o governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, por propaganda eleitoral irregular em três cultos religiosos ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira e do estadual Alê Portela, ambos do PL.

A representação foi apresentada pela campanha de Gabriel Azevedo (MDB), que também disputa o governo de Minas. O relator, desembargador Paulo Calmon Nogueira da Gama, entendeu que os atos configuraram campanha em local vedado pela legislação eleitoral.

"A realização de ato de campanha eleitoral em templo religioso, ainda que sob a forma de discurso com invocação religiosa e apoio de líder religioso, caracteriza propaganda eleitoral irregular", escreveu o desembargador na decisão.

Em 16 de agosto, Simões subiu ao palco de um culto na Igreja Batista Getsêmani, ao lado de Nikolas Ferreira, para receber a bênção do pastor.

Que o Senhor coloque homens de Deus, mulheres de Deus, para que esta Nação esteja corrigindo a sua rota.

Em 20 de agosto, o governador voltou a aparecer em um templo, desta vez em Uberlândia, ao lado de Alê Portela, ex-secretária de Desenvolvimento Social do governo Romeu Zema.

Na Igreja Assembleia de Deus Missão aos Povos, o prefeito Paulo Sérgio (PP), aliado de Simões, discursou aos fiéis exaltando a gestão do governador e pediu orações por ele.

Por que templo religioso não pode ser palco de campanha

A legislação eleitoral veda propaganda em local de culto para que a liberdade religiosa não se confunda com disputa de voto. Para o relator, os vídeos mostram Simões usando a ocasião para "enaltecer sua candidatura ao cargo de governador", ainda que de forma velada.

Não é o primeiro atrito de Simões com o TRE-MG nesta campanha. O tribunal já havia limitado o tempo de televisão do governador na propaganda eleitoral, no início de setembro.

Simões busca a reeleição por uma coligação encabeçada pelo PSD, partido que oficializou sua candidatura em agosto. Gabriel Azevedo, autor da representação que resultou na multa, também concorre ao governo do estado.