O Exército dos Estados Unidos ativou nesta segunda-feira (3) a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental, que promoverá exercícios militares com o Brasil e outros 17 países até o dia 13 de agosto, com manobras concentradas no Canal do Panamá. O comando afirma que vai 'aplicar pressão sistêmica total' sobre cartéis de drogas e 'eliminar todas as ameaças' na região.

A força-tarefa é uma nova fase da Operação Lanças do Sul, campanha lançada em 2025 que já esteve envolvida em bombardeios contra barcos no Caribe acusados de transportar drogas — ofensiva que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. O comando dos EUA não detalhou quais ameaças pretende eliminar na nova etapa.

O que muda com a nova força-tarefa

A estrutura está sob o comando do general Francis L. Donovan, chefe do Comando Sul (Southcom), acompanhado pelo major-general Kevin Jarrard e pelo sargento-mor Kenne Hanson. Em nota, o comando declarou: "Aplicaremos fricção sistêmica total sobre essas redes que ameaçam nossa pátria e nossos parceiros nesta região compartilhada." A iniciativa complementa o programa "Escudo das Américas", lançado em março, e integra a política do governo Trump que classifica cartéis latino-americanos como organizações terroristas.

Por que o Brasil fica fora da coalizão anticartéis

Apesar de entrar nos exercícios militares, o Brasil não faz parte da "Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis", grupo de 16 países latino-americanos formado meses antes com o objetivo declarado de "destruir" organizações do narcotráfico no hemisfério. O pano de fundo da ofensiva inclui a classificação do PCC pelo Departamento do Tesouro dos EUA, em 1º de julho, como "a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental", com operações que teriam se expandido para Reino Unido, Turquia e Japão.