O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura do terceiro inquérito da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, por suspeita de tráfico de influência. Dino também mandou investigar vazamentos de dados sigilosos das apurações anteriores, a pedido da defesa do empresário.

Dino era o relator sorteado para decidir sobre o pedido desde segunda-feira (3) — na ocasião, ainda avaliava se autorizava ou não a investigação. Com a decisão desta terça, o novo inquérito soma-se a outros dois já autorizados pelo ministro André Mendonça: um sobre atuação junto ao Ministério da Saúde e à Presidência para comercialização de cannabis medicinal, e outro sobre suposto favorecimento à empresa de Cleber Ribas de Oliveira em contratos com a Dataprev.

O que motivou o novo inquérito?

A suspeita recai sobre a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, apontada como tendo atuado em favor de empresas junto a órgãos públicos — padrão que se repete nos três inquéritos. Segundo apuração, ela visitou órgãos federais mais de 40 vezes entre 2023 e 2025 sem registro em agendas oficiais.

Paralelamente, Dino autorizou uma quarta apuração, sobre possível vazamento ilegal de informações sigilosas dos processos contra Lulinha, atendendo a pedido da própria defesa do empresário, que alega ter tido conversas privadas vazadas. O advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou a decisão como "enérgica" para apurar as circunstâncias dos vazamentos.

O que diz a defesa?

Nem a defesa de Lulinha nem a Polícia Federal comentaram publicamente o conteúdo das novas investigações. O presidente Lula já havia declarado anteriormente que, "se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa". A abertura de inquérito não implica culpa — autoriza apenas a coleta de provas pela PF sob supervisão do STF.