A Polícia Federal adiou nesta segunda-feira (3) o depoimento de Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, a pedido da defesa dele. Lima é apontado pela PF como elo entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o esquema de fraudes do Banco Master; Wagner presta esclarecimentos à corporação nesta sexta-feira (7).

Augusto Lima era controlador do Banco Pleno desde julho de 2025 e já havia sido preso preventivamente pela PF em novembro do mesmo ano, em outra fase da mesma investigação. O Banco Pleno teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. Segundo a Polícia Federal, que analisou o celular de Vorcaro, Lima também teria atuado para que o Banco de Brasília (BRB) comprasse carteiras do Banco Master, mais uma frente investigada no caso.

O que a PF aponta contra Jaques Wagner

A investigação, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, aponta o "recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente", por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias ligadas ao Banco Master. Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão e de uma medida que restringe suas atividades econômicas. Segundo apurado, ele manteve contato frequente com Augusto Lima, que teria conduzido operações financeiras e o envio de benefícios ao senador — entre eles, um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

O que diz a defesa de Wagner

Wagner nega irregularidades. Ele afirma que o apartamento estava em construção, que queria ajudar a filha a comprá-lo e que, como Augusto Lima é investidor, perguntou se ele poderia intermediar a aquisição. "Minha relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero", disse o senador, que afirma ter se encontrado com o banqueiro apenas duas vezes. Em 31 de julho, após o STF retirar o sigilo da investigação, Wagner disse estar confiante de que provará sua inocência.