O frete marítimo para a rota Brasil-Ásia subiu quase 400% desde janeiro, de US$ 1.500 para uma faixa entre US$ 7 mil e US$ 8 mil por contêiner de 40 pés, segundo a consultoria Solve Shipping. A alta é puxada pela guerra entre Estados Unidos e Irã e deve pressionar os preços de produtos importados até novembro.
Por que o frete subiu tanto?
A alta resulta da combinação entre a guerra dos Estados Unidos com o Irã — que reduziu a oferta de navios nas rotas para o Brasil — e o aumento da demanda de consumo nos Estados Unidos, segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, diretor de relações institucionais da AGL Cargo. "Os donos dos navios, os armadores, tiram os navios que fazem a rota para o Brasil, diminuem a oferta, e isso aumenta o frete. A demanda de consumo nos EUA está muito alta", afirmou. O petróleo mais caro responde por cerca de apenas 10% do frete e não explica sozinho o salto.
O movimento também é influenciado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por ataques a embarcações no Golfo Pérsico e por riscos à navegação no Mar Vermelho, segundo a Transporte Moderno, com base em dados da consultoria Port Trade. Entre janeiro e abril, o contêiner de 40 pés custava entre US$ 1,2 mil e US$ 2 mil; nas semanas seguintes, passou a variar entre US$ 4,8 mil e US$ 5,7 mil.
Até quando os preços devem continuar altos?
Jackson Campos avalia que o custo deve permanecer na faixa de US$ 7 mil a US$ 8 mil por contêiner até meados de novembro, quando o volume de cargas atinge o pico da temporada, e só então começa a cair progressivamente até se estabilizar no início do próximo ano. O aumento tende a ser repassado aos preços de produtos importados, especialmente os de menor valor agregado, com efeito mais visível às vésperas de datas comerciais como Black Friday e Natal.
O advogado Pedro Calmon Neto, especialista em Direito Marítimo, avalia que as empresas precisam revisar contratos para saber quem assume os custos extras: "Quando o custo logístico cresce nessa proporção, as empresas precisam examinar as negociações, as cláusulas e os documentos da operação para identificar quem assumiu cada risco e quais despesas admitem repasse."














