O alto custo dos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, usados no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, é o principal entrave para sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, um projeto-piloto em Porto Alegre está avaliando a viabilidade econômica e clínica desse tratamento em um grupo de 250 pacientes com obesidade grave, candidatos à cirurgia bariátrica.
Estes medicamentos, como a semaglutida e liraglutida, são conhecidos por promoverem perda de peso significativa e melhorarem o controle glicêmico. No entanto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) já emitiu parecer desfavorável à sua incorporação, citando um impacto orçamentário superior a R$ 8 bilhões.
Para contornar esse desafio, o Ministério da Saúde busca incentivar a produção nacional e a entrada de genéricos, o que pode reduzir custos. A farmacêutica Novo Nordisk, por exemplo, ofereceu um desconto de 59% para o governo na incorporação da semaglutida, visando atender pacientes com alto risco cardiovascular.
No projeto-piloto em Porto Alegre, conduzido pelo Grupo Hospitalar Conceição, serão avaliados indicadores como percentual de perda de peso, evolução da qualidade de vida e custos operacionais. A expectativa é que os resultados ajudem a adaptação do tratamento à realidade do SUS. A decisão da Conitec, entretanto, destaca a necessidade de um equilíbrio entre inovação e sustentabilidade financeira, considerando que o tratamento farmacológico implica em custos recorrentes e dependência terapêutica prolongada.
O Ministério da Saúde também solicitou à Anvisa prioridade na análise de registros de novos medicamentos, esperando que a concorrência no mercado de genéricos possa reduzir ainda mais os preços, permitindo futuras avaliações sobre a oferta da terapia na rede pública.




