O lucro líquido dos planos de saúde médico-hospitalares caiu 12,1% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, de R$ 12,4 bilhões para R$ 10,9 bilhões, segundo dados enviados pelas operadoras à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A receita total de mensalidades no período somou R$ 201,9 bilhões. O resultado operacional agregado, que não conta ganhos financeiros, ficou positivo em R$ 5,6 bilhões.

A sinistralidade — percentual do faturamento usado para pagar consultas, internações, exames e cirurgias — chegou a 81,9%, 0,8 ponto percentual acima do ano anterior.

Segundo a ANS, o aumento não se deveu necessariamente a mais uso dos planos pelos beneficiários. Duas movimentações atípicas, uma operadora que guardou mais reservas em caixa e outra que fez um aporte de recursos, pesaram no cálculo agregado do setor.

Por que o lucro caiu mesmo com juros altos?

O lucro caiu porque a sinistralidade subiu e o ano anterior teve resultado recorde. As aplicações financeiras das operadoras, que somaram R$ 142,4 bilhões ao fim de junho em cenário de juros elevados, ajudam o resultado, mas não bastaram para repetir o desempenho de 2025.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa as operadoras, atribui o resultado ao cenário macroeconômico. Segundo a entidade, o setor segue sob pressão de custos crescentes, novas tecnologias, envelhecimento da população e judicialização.

Mesmo em queda, o resultado do semestre segue em patamar historicamente alto: em 12 meses até setembro de 2025, o setor havia acumulado lucro recorde de R$ 17,9 bilhões, superando o pico da pandemia, de R$ 15,9 bilhões em 2020.

O que muda no bolso de quem paga plano de saúde?

A ANS já aprovou reajuste de 5,11% para planos de saúde individuais e familiares, válido de maio de 2026 a abril de 2027. A regra vale para 7,7 milhões de beneficiários com contratos regulamentados pela Lei 9.656/1998.

A ANS já barrou a Hapvida de reajustar quase 1 milhão de contratos neste ano.

A agência também ampliou a cobertura obrigatória dos planos, como na mamografia digital sem limite de idade.

O sistema de saúde brasileiro, incluindo o setor público, desperdiça até R$ 360 bilhões por ano, segundo estimativas do setor.