Pesquisadores da USP, da UFU e da Unesp identificaram uma proteína do parasita Trypanosoma cruzi, a IP6K, como alvo promissor contra a doença de Chagas. Em testes de laboratório, reduzir essa proteína impediu o parasita de infectar células do coração humano.
Desenvolvemos uma versão do parasita deficiente para a proteína IP6K. Ele até entra na célula e se replica, mas com dificuldade.
A frase é de Thaise Lara Teixeira, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e uma das autoras do estudo, feito durante seu pós-doutorado no Instituto de Química da USP.
Sem a IP6K em níveis adequados, o parasita perde a capacidade de se diferenciar em sua forma infectante dentro das células cardíacas. Seu desenvolvimento fica gravemente comprometido a cada novo ciclo de infecção.
A proteína do parasita tem apenas 25% de similaridade com a versão humana da mesma molécula. Isso ajuda a reduzir o risco de efeito colateral, caso um remédio específico seja desenvolvido no futuro.
Hoje só existem dois remédios contra a doença de Chagas, descobertos nos anos 1970. Os dois têm efeitos colaterais fortes, que costumam levar ao abandono do tratamento, e funcionam bem apenas na fase inicial da doença.
Em julho, a Anvisa aprovou um remédio contra a doença para crianças, mas o arsenal terapêutico segue pequeno.
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O achado se soma a outra pesquisa, também deste ano, que já tinha revelado como o parasita se transforma dentro do corpo e sugerido novos caminhos de tratamento.
A doença de Chagas afeta cerca de 8 milhões de pessoas no mundo, a maioria na América Latina. No Brasil, foram cerca de 400 casos novos em 2025.
Entre 20% e 30% dos pacientes desenvolvem problemas cardíacos, que podem ser letais. Cerca de 10% têm alterações digestivas.
A lógica de buscar um alvo molecular específico já rendeu resultado em outra doença tropical negligenciada: uma nova classe de moléculas também mira a malária resistente a remédios.
O que acontece agora
A pesquisa segue em fase de laboratório, sem data para virar remédio. Os próximos passos incluem investigar se a IP6K participa do reparo do DNA do parasita, estudar a resposta do sistema imune humano e mapear pontos específicos da proteína que um fármaco possa atacar.





























