O Brasil deve enfrentar ao menos 6 ondas de calor entre setembro e dezembro deste ano, segundo previsão divulgada nesta sexta-feira (28) pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Se o El Niño se intensificar, o número pode chegar a 9.

A média histórica desde 1979 é de 4 ondas de calor por período equivalente. No último episódio forte do El Niño, o país registrou justamente 9, o teto agora citado como cenário mais severo.

Onde o calor pesa mais

O Cemaden aponta o Norte e o Nordeste como as regiões mais afetadas. Ao todo, 157 municípios já estão em situação de seca severa, sendo 50 no Tocantins e 18 na Bahia.

O risco de incêndio também soma números altos: 560 municípios, o equivalente a 35% do território nacional, estão classificados em nível alto de risco, com a faixa entre Amazônia e Pantanal apontada como especialmente vulnerável.

É essa combinação de seca prolongada e calor acima da média que preocupa pesquisadores do órgão, mais do que qualquer episódio isolado de temperatura recorde. Segundo a pesquisadora do Cemaden Mabel Calim Costa, a onda de calor "passa a afetar todo o país", e as populações "não têm resiliência para enfrentar temperaturas tão altas".

O efeito no preço da comida

O órgão também associa o cenário a um possível impacto nos preços de alimentos in natura, como carnes e hortaliças, com estimativa de alta de até 19,9%. O aumento do calor tende a reduzir produtividade agrícola e elevar custos de produção.

O climatologista José Marengo afirma que a intensificação do calor deve começar já em setembro, abrindo a temporada mais crítica antes mesmo da chegada da primavera.

O cenário se soma ao El Niño que pode ser o mais forte em 250 anos e à alta recente das queimadas registradas após o melhor agosto da história no controle do fogo.

O ponto em aberto

O Cemaden já mapeou os 560 municípios em risco alto de incêndio antes do pico da seca, previsto para os próximos dois meses. Falta saber se prefeituras e governos estaduais vão transformar esse mapa em ação concreta, como brigadas e planos de contingência, antes de setembro chegar.