O Brasil elege 54 novos senadores neste domingo (4), renovando dois terços de todo o Senado Federal. A composição que sair das urnas vai definir o espaço de manobra do governo e o tom da relação entre Congresso e Supremo Tribunal Federal nos próximos anos.
O PL tem hoje 10 senadores em mandato e colocou como objetivo declarado de campanha ampliar a bancada.
A meta anunciada pelo partido é ajudar a formar maioria capaz de aprovar anistia aos presos do 8 de janeiro e avançar o impeachment de ministros do STF — pauta que ganhou tração no Congresso em meio ao desgaste da relação entre parlamentares e o Supremo.
Um levantamento da Gazeta do Povo, já mostrado pela TV Sim Brasil, identificou 106 candidatos ao Senado que defendem abrir impeachment contra ministros do STF.
O número mostra que o movimento vai além do PL. São candidatos de vários partidos apostando no tema como bandeira de campanha.
A disputa pelo Senado ganhou peso incomum nesta eleição, justamente por causa do embate entre Congresso e Supremo.
Por que a direita está se unindo em alguns estados?
Nas últimas semanas, a direita fez movimentos para reduzir divisões internas no campo conservador. Em São Paulo, Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado para apoiar André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
A avaliação no campo conservador era que dividir os votos da direita entre três candidatos poderia abrir espaço para aliados de Lula, como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
No Distrito Federal, Ronaldo Fonseca (PSD) saiu do páreo para apoiar Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, as duas do PL.
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Por que Lula teme um Senado fragmentado?
Lula tem demonstrado preocupação com a divisão da base aliada na disputa pelas cadeiras no Senado. Ele criticou candidaturas independentes e previu uma "crise sem precedente" caso precise governar com minoria na Casa.
A fala veio depois de vaias ao candidato Pedro Paulo (PSD) em ato no Rio de Janeiro. Ele é companheiro de chapa de Benedita da Silva (PT), mas parte da esquerda apoia a vereadora Mônica Benício (PSOL) para a segunda vaga.
No Pará, a disputa por uma das vagas ao Senado opõe o governador Helder Barbalho (MDB) ao delegado Éder Mauro (PL).
O resultado de domingo decide não só nomes, mas o equilíbrio de forças entre Congresso e STF pelos próximos oito anos, mandato fixo dos senadores eleitos.
O ponto em aberto
A fragmentação em vários estados e a ausência de favorito claro em parte das disputas deixam uma pergunta em aberto.
O Senado eleito neste domingo pode ter maioria organizada para decidir pautas como o impeachment de ministros do STF, ou repetir a paralisia de pedidos represados na legislatura atual.
































