O deputado federal Ricardo Salles (Novo) desistiu nesta segunda-feira (28/9) da candidatura ao Senado por São Paulo e declarou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), na reta final da campanha para as eleições de outubro deste ano.
O anúncio foi feito ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, que classificou a decisão como um gesto para somar forças, e não dividir o campo.
A gente tem o Ricardo Salles, que tinha toda a legitimidade para continuar na sua caminhada, tem trajetória, tem bagagem, tem história, dando um passo ao lado para nos ajudar, para somar. Então esse momento é o momento de somar, não é o momento de dividir.
A frase é de Tarcísio, que defendeu a união em torno de Derrite e Prado para ampliar as chances de eleger os dois representantes de São Paulo no Senado.
Por que a decisão faz sentido agora?
A decisão responde a um cenário de empate técnico. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24/9) mostrava Marina Silva (Rede) com 15%, Simone Tebet (PSB) com 14%, e Derrite e Prado empatados com 12% cada.
Salles aparecia com apenas 4% das intenções de voto na mesma pesquisa, distante dos quatro primeiros colocados na disputa pelas duas vagas do estado.
A aliança marca uma reviravolta: Salles vinha travando disputa direta com Prado e chegou a ser multado pelo TRE-SP em R$ 10 mil por um vídeo contra o rival. Em setembro, ele também o atacou em debate ao Senado, ao lado de Tebet.
A desistência de Salles não é a primeira nesse mesmo campo: em julho, Eduardo Bolsonaro já havia desistido de disputar as eleições e deixado a chapa ao Senado por São Paulo.
O movimento repete uma lógica: reduzir o número de candidaturas de direita para não pulverizar votos numa disputa apertada pelas duas vagas ao Senado paulista.
A pesquisa Datafolha ouviu 1.610 eleitores em São Paulo entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de 2 pontos e confiança de 95%. Foi contratada pela Folha e pela TV Globo, com registro TSE SP-03730/2026.
O ponto em aberto
A saída de Salles concentra o eleitorado que apoiava sua candidatura, 4% segundo o Datafolha, nas mãos de Derrite e Prado, tecnicamente empatados com Marina e Tebet. A pergunta é se essa transferência, a dias da eleição, basta para romper o empate.





























