O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) não incluiu na declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral pelo menos três empresas registradas em seu nome nos Estados Unidos, segundo levantamento nos registros públicos da Secretaria de Estado da Flórida. As três seguem ativas em 2026, com taxas pagas para continuar funcionando.
Por meio de sua equipe, o candidato disse que o patrimônio foi "construído de forma lícita" e que eventuais inconsistências na declaração serão corrigidas.
Cury tem cinco empresas registradas na Flórida, e apenas duas constam na declaração ao TSE. São elas a Intelligence School, aberta em 2014, e a Love Story Josefina, que virou Love Story Investments em 2021.
As três que ficaram de fora são mais recentes. Cury Academia Comportamental, Contemplare Investments e Free Mind Publish foram abertas entre 2021 e 2024, todas depois das duas empresas que constam na declaração. Duas empresas no Brasil também não aparecem na lista de bens.
Por que a ausência das empresas pesa neste momento
A declaração de bens é obrigatória para todo candidato registrado, conforme a Lei das Eleições (Lei 9.504/97). Patrimônio não declarado pode ser questionado como informação incorreta no registro de candidatura. A via prevista é a impugnação e, havendo dolo comprovado, a cassação do registro pelo TSE — hipótese que depende de decisão da Justiça Eleitoral.
Cury declarou R$ 242.281.162,52 em bens, um dos maiores patrimônios entre os presidenciáveis. O montante é composto principalmente por dívidas a receber de empresas familiares e participações societárias, segundo a própria declaração.
O escritor e psiquiatra assumiu o 3º lugar nas pesquisas presidenciais no fim de agosto.
A campanha ganhou tração com uma base de 10 milhões de seguidores nas redes sociais, construída em poucos meses.
É essa ascensão nas pesquisas que transforma um detalhe contábil em fato político. Quanto mais perto do topo da disputa, maior o escrutínio sobre o patrimônio de um candidato.
Na pesquisa mais recente, Cury havia saltado para 11% das intenções de voto. Antes de o caso vir à tona, ele já dizia publicamente que deixaria os negócios caso fosse eleito presidente.
O que acontece agora
A Justiça Eleitoral pode intimar o candidato a retificar a declaração ou pedir esclarecimentos sobre os bens não declarados. Partidos adversários e o Ministério Público Eleitoral podem usar o episódio para pedir impugnação da candidatura, com base no registro já protocolado no TSE.
Enquanto isso não se decide, o episódio segue como capítulo de uma campanha marcada pela ascensão rápida de um candidato fora do centro tradicional da disputa presidencial.


























